Mundo cruel, entre sonhos quebrados
Se movem as teias do teu sentido,
Tu que, no horror de um mundo destruído,
Te alimentas da alma dos condenados.
És negro como a sombra dos pecados
Que crias em cada sonho vencido,
Tu que, indiferente ao lamento perdido,
Não sentes senão sonhos derrotados.
Mundo, o teu negro horror é tenebroso,
Quando, entre sombras, vens, silencioso,
Com profecias cruéis, inclementes.
E o tempo que te chama é incompleto,
Sentinela de um túmulo secreto,
Lavado no sangue dos inocentes!
Cada palavra a sangue e dor marcada num grito de revolta silenciosa... Esta sou eu... A sombra, a noite... O nada.
Tuesday, August 28, 2007
Deixa a Alma Gritar
Não te controles mais. Se tens chorado
Em silêncio, então deixa de o fazer.
Se o mundo diz que mereces sofrer,
Então não escondas teu peito rasgado.
Não finjas que o teu coração magoado
Não sente as agonias de viver.
Não escondas o que sentes. Deixa-os ver
O que tanto quiseram ver quebrado.
Não te feches mais. Deixa a alma gritar
Pela dor com que quebraram teu olhar.
Para de fingir que és indiferente.
Deixa que vejam. Não é o que querem?
Talvez quando souberem e entenderem,
Te permitam dormir eternamente…
Em silêncio, então deixa de o fazer.
Se o mundo diz que mereces sofrer,
Então não escondas teu peito rasgado.
Não finjas que o teu coração magoado
Não sente as agonias de viver.
Não escondas o que sentes. Deixa-os ver
O que tanto quiseram ver quebrado.
Não te feches mais. Deixa a alma gritar
Pela dor com que quebraram teu olhar.
Para de fingir que és indiferente.
Deixa que vejam. Não é o que querem?
Talvez quando souberem e entenderem,
Te permitam dormir eternamente…
Wednesday, August 08, 2007
Acção e Reacção
Olhou para mim como um anjo magoado,
Perdido num silêncio sem lugar.
Estendeu os braços nus ao céu sagrado,
Como se me pedisse para o salvar.
Nos seus olhos de quem não sabe amar,
Chorava a dor de um coração quebrado.
Nos seus braços cansados de lutar,
Havia o frio do sonho derrotado.
Olhou para mim, numa angústia submissa,
Num silencioso grito por justiça
Face ao vazio de tudo o que não sei.
E olhei para ele, triste anjo sombrio,
Estendi meus braços para o seu vazio
E, olhando o seu olhar, também chorei…
Perdido num silêncio sem lugar.
Estendeu os braços nus ao céu sagrado,
Como se me pedisse para o salvar.
Nos seus olhos de quem não sabe amar,
Chorava a dor de um coração quebrado.
Nos seus braços cansados de lutar,
Havia o frio do sonho derrotado.
Olhou para mim, numa angústia submissa,
Num silencioso grito por justiça
Face ao vazio de tudo o que não sei.
E olhei para ele, triste anjo sombrio,
Estendi meus braços para o seu vazio
E, olhando o seu olhar, também chorei…
Os Olhos de Sirius
Como a estrela negra sublime e obscuro,
Ele é o anjo da condenação.
Olhos soturnos, cor de escuridão,
Reflectem a luz de quanto procuro.
Sinistro e frio, mas inocente e puro,
Ele é o rosto, a soturna expressão
Da eternamente negra solidão
Que marcou seu passado e seu futuro.
Sombrio olhar de inefável tristeza,
Nele se esconde a inocente beleza
De uma pena que não lhe pertenceu.
Olhar de solidão, melancolia…
Príncipe de ilusão e fantasia,
Perdido e condenado, como eu…
Ele é o anjo da condenação.
Olhos soturnos, cor de escuridão,
Reflectem a luz de quanto procuro.
Sinistro e frio, mas inocente e puro,
Ele é o rosto, a soturna expressão
Da eternamente negra solidão
Que marcou seu passado e seu futuro.
Sombrio olhar de inefável tristeza,
Nele se esconde a inocente beleza
De uma pena que não lhe pertenceu.
Olhar de solidão, melancolia…
Príncipe de ilusão e fantasia,
Perdido e condenado, como eu…
Versos de Sangue
Veias rasgadas pelo punhal da vida,
Pela voz da morte corpo enfraquecido,
Dito, nesta agonia indefinida,
Versos de sangue e de sonho perdido.
Agonizante, corpo destruído,
Moribunda essência de alma perdida,
Murmuro versos negros, sem sentido,
Frios como a noite que me tem vencida.
Como um murmúrio, partem, indomáveis,
Negros versos de horror, intermináveis,
Arrancados à alma em convulsão.
Poemas moribundos de alma rasgada,
Vão, no meu sangue, em direcção ao nada,
Deixando em mim só morte e escuridão...
Pela voz da morte corpo enfraquecido,
Dito, nesta agonia indefinida,
Versos de sangue e de sonho perdido.
Agonizante, corpo destruído,
Moribunda essência de alma perdida,
Murmuro versos negros, sem sentido,
Frios como a noite que me tem vencida.
Como um murmúrio, partem, indomáveis,
Negros versos de horror, intermináveis,
Arrancados à alma em convulsão.
Poemas moribundos de alma rasgada,
Vão, no meu sangue, em direcção ao nada,
Deixando em mim só morte e escuridão...
Sob as Asas dos Caídos
Vivo sob as asas de anjos quebrados
Pela miséria dos sonhos destruídos.
Encontrei, entre sonhos derrubados,
Meu refúgio na sombra dos vencidos.
Escondida sob as asas dos caídos,
Vivo distante dos ideais amados.
Não tenho já futuro nem sentidos,
Mas apenas meus sonhos derrotados.
Entre os quebrados da vida cruel,
Escondo a tristeza de uma alma fiel,
Para sempre condenada à escuridão.
Também eu sou só um anjo caído,
Sonhando ainda com um céu perdido.
As minhas asas nunca voarão!
Pela miséria dos sonhos destruídos.
Encontrei, entre sonhos derrubados,
Meu refúgio na sombra dos vencidos.
Escondida sob as asas dos caídos,
Vivo distante dos ideais amados.
Não tenho já futuro nem sentidos,
Mas apenas meus sonhos derrotados.
Entre os quebrados da vida cruel,
Escondo a tristeza de uma alma fiel,
Para sempre condenada à escuridão.
Também eu sou só um anjo caído,
Sonhando ainda com um céu perdido.
As minhas asas nunca voarão!
Lágrima Prevista
Um breve pensamento, indefinido,
Passa pela mente distante, vazia.
Instala-se, então, a melancolia
E o negro sonho sente-se perdido.
Vem, depois, a procura de um sentido
Para uma vida sádica e sombria.
Seguem-se o desespero e a agonia
De nada ver senão o céu vencido.
Trava-se, então, a guerra da vontade
De viver contra a dor da eternidade.
Quer quebrar a alma… A voz não o fará.
E é só no fim, quando a dor é mais forte,
Que o silêncio que prenuncia a morte
Surge à luz da lágrima que virá.
Passa pela mente distante, vazia.
Instala-se, então, a melancolia
E o negro sonho sente-se perdido.
Vem, depois, a procura de um sentido
Para uma vida sádica e sombria.
Seguem-se o desespero e a agonia
De nada ver senão o céu vencido.
Trava-se, então, a guerra da vontade
De viver contra a dor da eternidade.
Quer quebrar a alma… A voz não o fará.
E é só no fim, quando a dor é mais forte,
Que o silêncio que prenuncia a morte
Surge à luz da lágrima que virá.
Saturday, March 10, 2007
Um Murmúrio Distante
Preso na noite do eterno vazio
Anda um encanto perdido, inconstante,
Perdido num momento fugidio
Do seu eterno sonho cintilante.
Passa por mim um murmúrio distante,
Eco esquecido de um sonho sombrio,
Gravando, na memória de um instante,
As palavras de um canto morto e frio.
Escondidos no silêncio dos perdidos,
Pairam no ar sentimentos esquecidos,
Memórias sem caminho e sem sentido.
E esse murmúrio breve, inacabado,
Guarda o meu sonho, morto, derrotado,
No meu sepulcro de anjo destruído...
Anda um encanto perdido, inconstante,
Perdido num momento fugidio
Do seu eterno sonho cintilante.
Passa por mim um murmúrio distante,
Eco esquecido de um sonho sombrio,
Gravando, na memória de um instante,
As palavras de um canto morto e frio.
Escondidos no silêncio dos perdidos,
Pairam no ar sentimentos esquecidos,
Memórias sem caminho e sem sentido.
E esse murmúrio breve, inacabado,
Guarda o meu sonho, morto, derrotado,
No meu sepulcro de anjo destruído...
Meu Santuário
Onde eu sou eu e os sonhos sem sentido
Se transformam em sombras de loucura,
Paira uma cruz da cor da noite escura
Em memória do meu mundo perdido.
Onde morreu o último anjo caído,
Por entre as cinzas da eterna amargura,
Ergue-se o altar de uma magia obscura,
Onde o meu espírito foi consumido.
Onde eu sou o que sou e a sombra passa
Por entre os ecos da minha desgraça,
Há um templo de noite e escuridão.
Meu santuário do tempo derrotado...
Aqui jazem as cinzas do passado,
Na sombra da eterna condenação...
Se transformam em sombras de loucura,
Paira uma cruz da cor da noite escura
Em memória do meu mundo perdido.
Onde morreu o último anjo caído,
Por entre as cinzas da eterna amargura,
Ergue-se o altar de uma magia obscura,
Onde o meu espírito foi consumido.
Onde eu sou o que sou e a sombra passa
Por entre os ecos da minha desgraça,
Há um templo de noite e escuridão.
Meu santuário do tempo derrotado...
Aqui jazem as cinzas do passado,
Na sombra da eterna condenação...
Amas-me?
Agora vês a sombra negra, escura,
Que permanece algures em mim perdida.
Agora vês que toda a minha vida
Foi desperdiçada em nada e loucura.
Agora vês que espectro me tortura,
Que horror me guia a mente enlouquecida.
Agora sabes que sombra esquecida
Ficou da minha indecisão obscura.
E, agora que todo o tempo perdido
Põe fim à minha vida sem sentido
E surge, breve, a promessa do fim,
Pergunto... Agora que viste o pecado
Que assombra os fantasmas do meu passado,
Amas-me ainda? Ainda gostas de mim?
Que permanece algures em mim perdida.
Agora vês que toda a minha vida
Foi desperdiçada em nada e loucura.
Agora vês que espectro me tortura,
Que horror me guia a mente enlouquecida.
Agora sabes que sombra esquecida
Ficou da minha indecisão obscura.
E, agora que todo o tempo perdido
Põe fim à minha vida sem sentido
E surge, breve, a promessa do fim,
Pergunto... Agora que viste o pecado
Que assombra os fantasmas do meu passado,
Amas-me ainda? Ainda gostas de mim?
Vitae Lux
Longe, nas trevas de uma noite escura,
Brilha uma estrela etérea, indefinida,
Iluminando a sombra escurecida
Que vagueia nas brumas da loucura.
Brilha, distante, eternamente pura,
A mais perfeita das luzes da vida,
Atenuando a dor da alma perdida
Que, no vazio das sombras, a procura.
Sozinha, no infinito céu distante,
Resplandece, nas alturas, brilhante,
A estrela da promessa de outro céu.
E, na terra, anda um vulto misterioso,
Lamentando um destino tenebroso.
Brilha para mim, doce estrela! Sou eu!
Brilha uma estrela etérea, indefinida,
Iluminando a sombra escurecida
Que vagueia nas brumas da loucura.
Brilha, distante, eternamente pura,
A mais perfeita das luzes da vida,
Atenuando a dor da alma perdida
Que, no vazio das sombras, a procura.
Sozinha, no infinito céu distante,
Resplandece, nas alturas, brilhante,
A estrela da promessa de outro céu.
E, na terra, anda um vulto misterioso,
Lamentando um destino tenebroso.
Brilha para mim, doce estrela! Sou eu!
Friday, February 02, 2007
Ad Amicos
20/12/2006
Meus mais que queridos amigos,
Eis-me chegada à minha mais negra hora.
Já nem a vossa presença,
A vossa força
E a vossa coragem
Conseguem afastar do meu pensamento
As trevas dos fantasmas que me assombram.
Sinto, mais que nunca,
Uma escuridão assombrosa
Dentro do meu peito.
A minha alma é percorrida
Por uma constante onda de angústia
E tenho a impressão que,
Dentro do meu peito,
O bater do meu coração
É cada vez mais débil,
Mais distante.
Não tenho mais forças
Para continuar a suportar
A terrível tortura de cada dia,
A agonia de cada instante.
Chegou a hora
De deixar cair a vida,
Ainda que isso signifique abandonar-vos.
É cobardia, eu sei.
Abandonando-me,
Provo aquilo que sempre foi uma suspeita:
Que sou indigna da vossa confiança,
Que não mereço a vossa amizade,
Que o vosso tempo
E os vossos sentimentos
Foram desperdiçados em mim.
Mas,
Se os meus passos me guiam para o abismo,
Mesmo sabendo o mal que vos farei,
É porque não me restam já alternativas
E é inadiável a hora da queda.
Toda a minha alma é vossa...
Adoro-vos com todas as minhas forças,
Mas não posso mais ficar.
O meu último pensamento é vosso,
Meus amigos,
E é uma súplica desesperada,
Em nome de tudo o que fomos.
Perdoai-me...
Por favor, perdoai-me.
Meus mais que queridos amigos,
Eis-me chegada à minha mais negra hora.
Já nem a vossa presença,
A vossa força
E a vossa coragem
Conseguem afastar do meu pensamento
As trevas dos fantasmas que me assombram.
Sinto, mais que nunca,
Uma escuridão assombrosa
Dentro do meu peito.
A minha alma é percorrida
Por uma constante onda de angústia
E tenho a impressão que,
Dentro do meu peito,
O bater do meu coração
É cada vez mais débil,
Mais distante.
Não tenho mais forças
Para continuar a suportar
A terrível tortura de cada dia,
A agonia de cada instante.
Chegou a hora
De deixar cair a vida,
Ainda que isso signifique abandonar-vos.
É cobardia, eu sei.
Abandonando-me,
Provo aquilo que sempre foi uma suspeita:
Que sou indigna da vossa confiança,
Que não mereço a vossa amizade,
Que o vosso tempo
E os vossos sentimentos
Foram desperdiçados em mim.
Mas,
Se os meus passos me guiam para o abismo,
Mesmo sabendo o mal que vos farei,
É porque não me restam já alternativas
E é inadiável a hora da queda.
Toda a minha alma é vossa...
Adoro-vos com todas as minhas forças,
Mas não posso mais ficar.
O meu último pensamento é vosso,
Meus amigos,
E é uma súplica desesperada,
Em nome de tudo o que fomos.
Perdoai-me...
Por favor, perdoai-me.
Infiel
27/09/2006 – Também sofri com as tuas palavras...
Para ver quem tu verdadeiramente eras,
Foi preciso que eu voltasse a cair.
Foi preciso que, nos espasmos dolorosos da vida,
Gritasse o teu nome, uma, outra e outra vez,
Implorando o teu apoio e a tua ajuda,
E que, enojada, te recusasses a aproximar de mim...
Foi preciso
Escutar as tuas acusações injustas
De que caí apenas porque quis
E de que não me volto a erguer
Porque me é agradável a dor insuportável que sinto.
Foi preciso ver nos teus olhos
O desprezo e a repugnância que sentes
Para entender que estava errada a teu respeito.
Porque eu acreditei em ti...Mas tu não valias nada.
Saberás tu, porventura,
O que é morrer por dentro na aurora da vida?
Será que sabes
A dor que se sente por dentro
Ao ver tudo aquilo que alguma vez teve significado
Ser reduzido a cinzas, pó e nada?
Saberás tu como queima por dentro
Ser-se traído, recusado e abandonado
Por aqueles que se fingiam amigos?
Não sabes, pois não?
Então, responde-me, agora:
Sou eu que quero ser assim?
Achas que gosto de estar assim?
Abri-te a minha alma, cegamente,
E, contudo, quando estava já ferida,
Acabaste de a matar...
Mas lembra-te de uma coisa...
Do vazio eterno de onde a minha alma te observa,
Enquanto eu me arrasto nesta existência inútil,
Ela vê, como eu agora vejo,
Aquilo que tu és,
E sabe, como eu sei,
Que, um dia, também tu vais descobrir a dor,
A mágoa,
A tristeza,
A solidão
E o abandono,
E, então, vais compreender
Aquilo que eu te disse muitas vezes
Mas que tu não quiseste escutar:
Que também os filhos da noite têm sentimentos,
Também amam,
Também sofrem
E também morrem de dor.
...Mas tu não compreendes isso...
Pois não?
Para ver quem tu verdadeiramente eras,
Foi preciso que eu voltasse a cair.
Foi preciso que, nos espasmos dolorosos da vida,
Gritasse o teu nome, uma, outra e outra vez,
Implorando o teu apoio e a tua ajuda,
E que, enojada, te recusasses a aproximar de mim...
Foi preciso
Escutar as tuas acusações injustas
De que caí apenas porque quis
E de que não me volto a erguer
Porque me é agradável a dor insuportável que sinto.
Foi preciso ver nos teus olhos
O desprezo e a repugnância que sentes
Para entender que estava errada a teu respeito.
Porque eu acreditei em ti...Mas tu não valias nada.
Saberás tu, porventura,
O que é morrer por dentro na aurora da vida?
Será que sabes
A dor que se sente por dentro
Ao ver tudo aquilo que alguma vez teve significado
Ser reduzido a cinzas, pó e nada?
Saberás tu como queima por dentro
Ser-se traído, recusado e abandonado
Por aqueles que se fingiam amigos?
Não sabes, pois não?
Então, responde-me, agora:
Sou eu que quero ser assim?
Achas que gosto de estar assim?
Abri-te a minha alma, cegamente,
E, contudo, quando estava já ferida,
Acabaste de a matar...
Mas lembra-te de uma coisa...
Do vazio eterno de onde a minha alma te observa,
Enquanto eu me arrasto nesta existência inútil,
Ela vê, como eu agora vejo,
Aquilo que tu és,
E sabe, como eu sei,
Que, um dia, também tu vais descobrir a dor,
A mágoa,
A tristeza,
A solidão
E o abandono,
E, então, vais compreender
Aquilo que eu te disse muitas vezes
Mas que tu não quiseste escutar:
Que também os filhos da noite têm sentimentos,
Também amam,
Também sofrem
E também morrem de dor.
...Mas tu não compreendes isso...
Pois não?
Ira
És um mundo esquecido, duvidoso,
Sempre inconstante, sempre diferente.
Há em ti um silêncio tenebroso
Que cobre a escuridão da minha mente.
Mudas com uma certeza indiferente...
Num momento, um sorriso radioso,
Depois, um esgar de raiva, ódio evidente,
Por fim, silêncio negro, pesaroso.
És uma sombra fria, indefinida,
A memória etérea da própria vida
De quem viveu eternamente preso.
Mas não escondas em ti a tua dor,
Pois, neste mundo de morte e temor,
Prefiro a tua ira ao teu desprezo!
Sempre inconstante, sempre diferente.
Há em ti um silêncio tenebroso
Que cobre a escuridão da minha mente.
Mudas com uma certeza indiferente...
Num momento, um sorriso radioso,
Depois, um esgar de raiva, ódio evidente,
Por fim, silêncio negro, pesaroso.
És uma sombra fria, indefinida,
A memória etérea da própria vida
De quem viveu eternamente preso.
Mas não escondas em ti a tua dor,
Pois, neste mundo de morte e temor,
Prefiro a tua ira ao teu desprezo!
Fantasia Obscura
Sou uma noite eterna, indefinida,
Alma de escuridão tempestuosa.
Sou a sombra da morte tenebrosa,
Perseguindo o espectro da própria vida.
Sou o limite da esperança perdida,
A voz de uma canção silenciosa,
A noite negra da mais negra rosa,
Profecia de uma vida vencida.
Sou um campo de flores, destroçado,
Florido mês de Abril, despedaçado,
Radiante céu azul, escurecido.
Ah, não haver em mim uma miragem
Que arrancasse das brumas minha imagem
E desse à minha vida algum sentido!
Alma de escuridão tempestuosa.
Sou a sombra da morte tenebrosa,
Perseguindo o espectro da própria vida.
Sou o limite da esperança perdida,
A voz de uma canção silenciosa,
A noite negra da mais negra rosa,
Profecia de uma vida vencida.
Sou um campo de flores, destroçado,
Florido mês de Abril, despedaçado,
Radiante céu azul, escurecido.
Ah, não haver em mim uma miragem
Que arrancasse das brumas minha imagem
E desse à minha vida algum sentido!
Último Adeus
Se é tempo de deixar para trás a história
E tudo aquilo que um dia foi teu,
Sabe que, depois de ti, fica a glória
De quanto, na vida, te aconteceu.
Se é tempo de rejeitar o teu eu,
Para deixar apenas a memória,
Sabe que a tua lembrança não morreu
E que é essa a tua maior vitória.
Mas, se tens medo, não do que se segue
Nem da sombra que sempre te persegue,
Mas apenas da dor da despedida,
Olha, pela última vez, a natureza
E canta o teu lamento de tristeza:
Não tenhas medo de chorar pela vida!
E tudo aquilo que um dia foi teu,
Sabe que, depois de ti, fica a glória
De quanto, na vida, te aconteceu.
Se é tempo de rejeitar o teu eu,
Para deixar apenas a memória,
Sabe que a tua lembrança não morreu
E que é essa a tua maior vitória.
Mas, se tens medo, não do que se segue
Nem da sombra que sempre te persegue,
Mas apenas da dor da despedida,
Olha, pela última vez, a natureza
E canta o teu lamento de tristeza:
Não tenhas medo de chorar pela vida!
Herdeiro
Tu que, depois de mim, serás, um dia,
Como eu, a sombra dos anjos caídos,
Não deixes que os teus sonhos destruídos
Apaguem em ti toda a fantasia.
Não deixes que uma existência sombria
Possua à força a flor dos teus sentidos.
Mantém para os céus os teus olhos erguidos
E a tua vida não será vazia.
Não esqueças a pureza e a inocência,
Na escuridão de um mundo de demência
Onde ninguém te respeita ou te sente.
Sê forte, herdeiro meu, meu anjo de água.
O tempo apagará a tua mágoa.
A vida há-de guardar-te eternamente...
Como eu, a sombra dos anjos caídos,
Não deixes que os teus sonhos destruídos
Apaguem em ti toda a fantasia.
Não deixes que uma existência sombria
Possua à força a flor dos teus sentidos.
Mantém para os céus os teus olhos erguidos
E a tua vida não será vazia.
Não esqueças a pureza e a inocência,
Na escuridão de um mundo de demência
Onde ninguém te respeita ou te sente.
Sê forte, herdeiro meu, meu anjo de água.
O tempo apagará a tua mágoa.
A vida há-de guardar-te eternamente...
Friday, September 29, 2006
Indiferença
Não me importa que a vida passe adiante,
Sem sequer me sentir ou observar.
Também eu sinto a vida mais distante
Que tudo quanto um dia soube amar.
Não me importa, se a morte me levar
Para longe desta agonia constante,
E apenas no alto céu me libertar,
Mais uma estrela no céu cintilante.
Não interessa que este instante dormente
Se continue, sempre, eternamente,
Até onde se desvanece o ser.
Se a vida quer partir, boa viagem!
Não me interessa mais esta miragem!
Já não importa! Não quero saber!
Sem sequer me sentir ou observar.
Também eu sinto a vida mais distante
Que tudo quanto um dia soube amar.
Não me importa, se a morte me levar
Para longe desta agonia constante,
E apenas no alto céu me libertar,
Mais uma estrela no céu cintilante.
Não interessa que este instante dormente
Se continue, sempre, eternamente,
Até onde se desvanece o ser.
Se a vida quer partir, boa viagem!
Não me interessa mais esta miragem!
Já não importa! Não quero saber!
Chuva
13/09/2006
Cai,
Gélida e cruel, sobre o meu corpo morto,
Arrastando consigo as memórias do passado
E as esperanças de um futuro que nunca virá.
Molha o meu corpo e foge com a minha alma,
Levando, entre o sangue e a lama,
As cinzas do meu espírito vencido.
Fria e impiedosa, cai sobre o meu corpo,
Para arrefecer o meu corpo ainda morno
E cortar o calor do meu sangue.
Cai, para me sepultar num túmulo molhado,
Oculto aos olhos dos homens,
Escondido dos filhos do mundo,
Guardado pela mente de Deus.
Cai sobre mim, suave e pesarosa,
Como se os próprios céus chorassem a minha morte
E a natureza me lamentasse.
Inunda o mundo que me rodeia,
Desfazendo em água a história da minha vida
E os traços incompreensíveis da minha alma.
E o mundo passa, frio e indiferente,
Sem compreender que a chuva, que os molha,
Que inunda as suas vidas
E que percorre o seu mundo,
É a mensageira da minha memória,
A protectora dos meus sonhos perdidos,
A voz da minha alma destruída,
Morta na aurora da inocência,
Silenciada
Pela crueldade do mundo.
O mundo passa,
Mas não compreende
Que, ao aniquilar o meu corpo,
Me preserva consigo para sempre.
Cai, carinhosa e doce, sobre o meu corpo morto,
E leva nos seus braços a minha alma,
A mensagem da inocência destruída...
O mundo que passe...
Os homens que esqueçam...
A natureza lembrará para sempre!
Cai,
Gélida e cruel, sobre o meu corpo morto,
Arrastando consigo as memórias do passado
E as esperanças de um futuro que nunca virá.
Molha o meu corpo e foge com a minha alma,
Levando, entre o sangue e a lama,
As cinzas do meu espírito vencido.
Fria e impiedosa, cai sobre o meu corpo,
Para arrefecer o meu corpo ainda morno
E cortar o calor do meu sangue.
Cai, para me sepultar num túmulo molhado,
Oculto aos olhos dos homens,
Escondido dos filhos do mundo,
Guardado pela mente de Deus.
Cai sobre mim, suave e pesarosa,
Como se os próprios céus chorassem a minha morte
E a natureza me lamentasse.
Inunda o mundo que me rodeia,
Desfazendo em água a história da minha vida
E os traços incompreensíveis da minha alma.
E o mundo passa, frio e indiferente,
Sem compreender que a chuva, que os molha,
Que inunda as suas vidas
E que percorre o seu mundo,
É a mensageira da minha memória,
A protectora dos meus sonhos perdidos,
A voz da minha alma destruída,
Morta na aurora da inocência,
Silenciada
Pela crueldade do mundo.
O mundo passa,
Mas não compreende
Que, ao aniquilar o meu corpo,
Me preserva consigo para sempre.
Cai, carinhosa e doce, sobre o meu corpo morto,
E leva nos seus braços a minha alma,
A mensagem da inocência destruída...
O mundo que passe...
Os homens que esqueçam...
A natureza lembrará para sempre!
Mortalitas
10/09/2006
Deusa negra da loucura e do sono infinito,
Que caminhas pelas estradas do mundo,
Arrastando atrás de ti
O sopro de vida dos teus escolhidos,
Indiferente a todos os pedidos de mais tempo
E a quaisquer súplicas por misericórdia...
Senhora sombria do nada eterno,
Que governas a vida para além da vida,
O infinito vazio
Que se segue à existência...
Morte, que passas entre os homens,
Detém os teus passos
E, por um momento,
Dirige para mim o teu olhar vazio.
Enquanto outros te pedem que os poupes,
Eu estou aqui e peço-te que me leves!
Enquanto os homens te imploram mais um dia de vida,
Eu peço-te: nem mais um instante!
Enquanto eles te pedem
Que os deixes viver o que ainda não viveram,
Eu imploro-te,
Ajoelhada perante a tua grandiosa presença,
Que não me obrigues a suportar mais um segundo
Daquilo que vivi.
Eles pedem-te a vida,
O futuro.
Eu peço-te o descanso, o eterno nada,
A morte.
Contudo, quando passas,
Nem te dignas dirigir-me um breve olhar.
Porque me negas?
Se eu te venero, se te adoro...
Se te peço que olhes para mim?
Porque me recusas a tua paz?
Se eles te pedem mais um dia de vida,
Se não entendem como é belo o que prometes,
Então deixa-os ficar, por mais um dia,
Na futilidade da sua vida inútil,
E leva-me a mim,
Que te espero,
Que te quero,
Que te desejo!
Leva-me nas tuas asas de noite
E deixa-me flutuar no vazio!
Deusa negra, amada senhora,
Toda-poderosa morte,
Deixa-os ficar,
Porque eles não sabem como és bela!
Deixa-os, por um momento,
E aceita-me.
Leva-me contigo,
Porque te amo como eles nunca saberão!
Olha para mim...
Estende-me os teus braços...
Leva-me contigo para o infinito!
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