Cada palavra a sangue e dor marcada num grito de revolta silenciosa... Esta sou eu... A sombra, a noite... O nada.
Friday, September 28, 2007
Lua de Sangue
Sinistro eco de um sonho sem lugar,
E, perdido nas ruas da amargura,
Caminha um anjo que não sabe amar.
Alma quebrada, incapaz de voltar,
Vagueia nos silêncios da loucura.
O mundo negou-lhe a sua ternura.
A vida nunca quis acreditar.
Ligado à voz de um destino mais forte,
Anjo de sombras, mergulha na morte
De tudo aquilo que algum dia amou.
E, de súbito, aos céus erguida em pranto,
Surge uma lua de sangue e de encanto,
Em memória do sonho que quebrou…
Estrela sem Destino
O doce encanto da noite perdida,
O reflexo da paz indefinida
Que prometia um futuro brilhante.
Era o puro esplendor de cada instante,
Divindade nas sombras reflectida,
Mas hoje jaz em cinzas minha vida
E o sonho que criei está já distante.
Era a promessa de um amor divino,
Mas hoje sou só estrela sem destino,
Num caminho sem sentido nem norte.
Fui sonho perfeito. Hoje, nada sou,
Presa nas cinzas de quanto quebrou.
Que restará de mim depois da morte?
Thursday, September 06, 2007
Lágrimas
Como sombras pelo rosto quebrado
Do anjo prostrado no chão,
Vencido pela mágoa de toda uma vida
Perdida na infinita escuridão.
Lágrimas quentes, salgadas,
De mágoas quebradas
No abismo de uma vida sem futuro,
Tristes como o silêncio disperso,
Submerso pelo ódio escuro
E pelas cicatrizes do passado.
Toda uma alma abandonada em água,
Olhos de mágoa
Sangram no abismo da infinita dor,
Onde o silêncio é vão e a noite é fria,
E a alma vazia
Chora a ausência do amor.
Anjo Crepuscular
Leva-me contigo. Não! Não te quero.
Os teus caminhos não serão os meus,
Pois apenas a morte que espero,
Enquanto voas no esplendor dos céus.
Tu vives no crepúsculo de um deus
E eu, no negro das noites, desespero.
Tu és o anjo dos sonhos e do adeus
E eu não sei nem quem sou ou o que quero.
Não! Não me leves. A tua pureza
Nunca estará na minha natureza.
Nunca terei teu sublime esplendor.
Vai, simplesmente, nas asas da vida,
Ser luz eterna da paz renascida.
Na sombra, eu serei só o meu amor.
À Porta
À porta do silêncio e da amargura
Deixei minhas asas de solidão,
Pois, perdida na sombra da loucura,
Tentei fugir de mim, mas foi em vão.
Deixei-me cair na eterna escuridão
Que foi a essência da minha alma obscura,
Porque, no abismo da condenação,
Não há misericórdia nem ternura.
Abandonei meu sonho derrotado,
Minha breve memória de um passado
Que vivi sempre, mas nunca senti.
À porta do vazio e da tristeza,
Deixei, quebrada, a minha natureza
E, perdida do meu sonho, morri…
Tuesday, August 28, 2007
Olhos de Sombra
Onde a minha inocência se perdeu,
Caminha uma voz de ódio e de amargura,
Memória de um destino que morreu.
A sombra que reconheces como eu
Não passa de uma fantasia obscura,
Criada para esconder quanto de meu
Se vendeu ao vazio da noite escura.
Não sou quem vês, este demónio breve
Que ocupa o espaço onde minha alma esteve,
Espectro de horror e infinito sadismo.
Não… A minha crueldade é uma fachada
Que oculta em si as sombras do meu nada,
O que restou de mim, depois do abismo…
Ele Morreu
Que não se cale nunca a tua dor!
Pois, entre as sombras do nada e do amor,
Quebrou a etérea luz da tua rosa.
Chora comigo, oh, dama tenebrosa,
Pois não há na vida senão temor!
Que seja sempre o negro a tua cor,
Noite como eu sombria e pesarosa.
Grita comigo em estertores de agonia!
Que nunca dês lugar à luz do dia
E fiques, sempre, negra como eu.
Num cântico de dor fria, perdida,
Chora comigo o vazio desta vida.
Que o mundo morra, já que ele morreu!
Coração Humano
Coração preso em angústia mortal.
Ecoa no meu espírito quebrado
Do imenso abismo o cântico final.
O meu sonho é de noite espiritual,
Memória de um destino derrotado.
Não conheço de mim senão o mal
Das negras cicatrizes do passado.
O meu espírito é sombra sem sentido
E, nesta existência de anjo vencido,
Vivi toda a eternidade num ano.
Em cinzas se desfez meu sonho eleito...
Bate, contudo, dentro do meu peito,
Um coração negro... Mas sempre humano...
Raio de Luz
Perdida entre silêncio e solidão,
Passava, qual fantasma de amargura,
Raio de luz cruzando a escuridão.
Espectro de infinita condenação
Entre as cinzas de uma ruína obscura,
Pisava a estrada do universo vão,
Sombra entre as sombras de uma noite escura.
Anjo celeste aos infernos descido,
Passava pelo mundo destruído,
Memória de um futuro inacabado.
Perdido num silêncio interminável,
Anjo do abismo, morto, incontornável,
Raio de luz nas trevas apagado…
Sombras e Espectros
Nas cinzas de minha alma condenada,
Como a memória de um sonho perdido,
Abandonado ao mais completo nada.
Uma sombra distante, abandonada,
Atravessa o meu coração vencido,
Como uma promessa fria, quebrada,
Perdida nos confins de um céu esquecido.
Espectros vazios, de horror e de amargura,
Cruzam as sombras da minha loucura,
Como ecos de um destino que morreu.
Sombras e espectros, fantasmas e dor,
Atravessam minha vida sem cor,
E tudo habita em mim… excepto eu.
O Sangue dos Inocentes
Se movem as teias do teu sentido,
Tu que, no horror de um mundo destruído,
Te alimentas da alma dos condenados.
És negro como a sombra dos pecados
Que crias em cada sonho vencido,
Tu que, indiferente ao lamento perdido,
Não sentes senão sonhos derrotados.
Mundo, o teu negro horror é tenebroso,
Quando, entre sombras, vens, silencioso,
Com profecias cruéis, inclementes.
E o tempo que te chama é incompleto,
Sentinela de um túmulo secreto,
Lavado no sangue dos inocentes!
Deixa a Alma Gritar
Em silêncio, então deixa de o fazer.
Se o mundo diz que mereces sofrer,
Então não escondas teu peito rasgado.
Não finjas que o teu coração magoado
Não sente as agonias de viver.
Não escondas o que sentes. Deixa-os ver
O que tanto quiseram ver quebrado.
Não te feches mais. Deixa a alma gritar
Pela dor com que quebraram teu olhar.
Para de fingir que és indiferente.
Deixa que vejam. Não é o que querem?
Talvez quando souberem e entenderem,
Te permitam dormir eternamente…
Wednesday, August 08, 2007
Acção e Reacção
Perdido num silêncio sem lugar.
Estendeu os braços nus ao céu sagrado,
Como se me pedisse para o salvar.
Nos seus olhos de quem não sabe amar,
Chorava a dor de um coração quebrado.
Nos seus braços cansados de lutar,
Havia o frio do sonho derrotado.
Olhou para mim, numa angústia submissa,
Num silencioso grito por justiça
Face ao vazio de tudo o que não sei.
E olhei para ele, triste anjo sombrio,
Estendi meus braços para o seu vazio
E, olhando o seu olhar, também chorei…
Os Olhos de Sirius
Ele é o anjo da condenação.
Olhos soturnos, cor de escuridão,
Reflectem a luz de quanto procuro.
Sinistro e frio, mas inocente e puro,
Ele é o rosto, a soturna expressão
Da eternamente negra solidão
Que marcou seu passado e seu futuro.
Sombrio olhar de inefável tristeza,
Nele se esconde a inocente beleza
De uma pena que não lhe pertenceu.
Olhar de solidão, melancolia…
Príncipe de ilusão e fantasia,
Perdido e condenado, como eu…
Versos de Sangue
Pela voz da morte corpo enfraquecido,
Dito, nesta agonia indefinida,
Versos de sangue e de sonho perdido.
Agonizante, corpo destruído,
Moribunda essência de alma perdida,
Murmuro versos negros, sem sentido,
Frios como a noite que me tem vencida.
Como um murmúrio, partem, indomáveis,
Negros versos de horror, intermináveis,
Arrancados à alma em convulsão.
Poemas moribundos de alma rasgada,
Vão, no meu sangue, em direcção ao nada,
Deixando em mim só morte e escuridão...
Sob as Asas dos Caídos
Pela miséria dos sonhos destruídos.
Encontrei, entre sonhos derrubados,
Meu refúgio na sombra dos vencidos.
Escondida sob as asas dos caídos,
Vivo distante dos ideais amados.
Não tenho já futuro nem sentidos,
Mas apenas meus sonhos derrotados.
Entre os quebrados da vida cruel,
Escondo a tristeza de uma alma fiel,
Para sempre condenada à escuridão.
Também eu sou só um anjo caído,
Sonhando ainda com um céu perdido.
As minhas asas nunca voarão!
Lágrima Prevista
Passa pela mente distante, vazia.
Instala-se, então, a melancolia
E o negro sonho sente-se perdido.
Vem, depois, a procura de um sentido
Para uma vida sádica e sombria.
Seguem-se o desespero e a agonia
De nada ver senão o céu vencido.
Trava-se, então, a guerra da vontade
De viver contra a dor da eternidade.
Quer quebrar a alma… A voz não o fará.
E é só no fim, quando a dor é mais forte,
Que o silêncio que prenuncia a morte
Surge à luz da lágrima que virá.
Saturday, March 10, 2007
Um Murmúrio Distante
Anda um encanto perdido, inconstante,
Perdido num momento fugidio
Do seu eterno sonho cintilante.
Passa por mim um murmúrio distante,
Eco esquecido de um sonho sombrio,
Gravando, na memória de um instante,
As palavras de um canto morto e frio.
Escondidos no silêncio dos perdidos,
Pairam no ar sentimentos esquecidos,
Memórias sem caminho e sem sentido.
E esse murmúrio breve, inacabado,
Guarda o meu sonho, morto, derrotado,
No meu sepulcro de anjo destruído...
Meu Santuário
Se transformam em sombras de loucura,
Paira uma cruz da cor da noite escura
Em memória do meu mundo perdido.
Onde morreu o último anjo caído,
Por entre as cinzas da eterna amargura,
Ergue-se o altar de uma magia obscura,
Onde o meu espírito foi consumido.
Onde eu sou o que sou e a sombra passa
Por entre os ecos da minha desgraça,
Há um templo de noite e escuridão.
Meu santuário do tempo derrotado...
Aqui jazem as cinzas do passado,
Na sombra da eterna condenação...
Amas-me?
Que permanece algures em mim perdida.
Agora vês que toda a minha vida
Foi desperdiçada em nada e loucura.
Agora vês que espectro me tortura,
Que horror me guia a mente enlouquecida.
Agora sabes que sombra esquecida
Ficou da minha indecisão obscura.
E, agora que todo o tempo perdido
Põe fim à minha vida sem sentido
E surge, breve, a promessa do fim,
Pergunto... Agora que viste o pecado
Que assombra os fantasmas do meu passado,
Amas-me ainda? Ainda gostas de mim?