Cada palavra a sangue e dor marcada num grito de revolta silenciosa... Esta sou eu... A sombra, a noite... O nada.
Saturday, October 27, 2007
Tens-me
Perdida no teu deserto de dor.
Teu mundo não conhece luz nem cor.
Também não as verá a minha vida.
Tens-me completamente, a ti rendida,
Mas não sentes senão ódio e rancor…
Pois que seja! Não temo o teu horror.
Não pode quebrar a alma destruída.
Tens-me nas mãos, perdida, abandonada
Na loucura de um deserto de nada,
Tua para tudo aquilo que quiseres.
Mas não está já nas tuas mãos quebrar-me.
Morta, nenhuma dor pode tocar-me,
Por isso, avança. Faz como entenderes…
Meu Triste Olhar
Paira um olhar solene e pesaroso,
Que, no seu sofrimento tenebroso,
Me fala de desprezo, morte e nada.
Meu triste olhar, espelho de alma quebrada,
Como eu triste, como eu silencioso,
Reflecte o nada ausente e misterioso
Da minha solidão abandonada.
Minha imagem distante, indefinida,
Como eu ausente e vazia de vida,
Para sempre morta nos confins do nada…
Aqui me vês, a imagem que se esconde
No teu reflexo que olha e não responde…
Virás, algum dia, a ser libertada?
Thursday, October 18, 2007
Desterro
É o único que escuta a minha dor,
Lamento o meu exílio sem futuro,
A minha infinita ausência do amor.
Aqui, onde o abismo não tem cor
E a morte é tudo aquilo que procuro,
Tenho o nada como único senhor
E como desejo o abismo mais escuro.
Aqui, banida de toda a verdade,
Rejeitada pela própria liberdade,
Não conheço de mim senão o nada.
Ah! Não haver uma breve memória
Que devolvesse a paz à minha história
E resgatasse a minha alma fechada…
Fonte de Inspiração
Foste, em tempos, memória do meu ser,
Espelho de tudo quanto procurei,
Fonte de inspiração, mesmo sem querer,
Do secreto universo que sonhei.
Foste o exemplo que eu sempre admirei,
O heróico ideal, o exemplo de viver.
Foste o refúgio que nunca encontrei,
Minha salvação, mesmo sem saber.
Em ti, vi sentimento e liberdade,
Audácia, sonho e força de vontade.
Com a tua força, à vida me ligaste.
Mas, agora, também tu estás ausente.
Também tu foges, cruel e indiferente.
No final, também tu me abandonaste…
Saturday, October 06, 2007
Hora Macabra
Marca as trevas do meu eterno horror,
Perdida num infinito de dor
Onde a própria existência me tortura.
Hora macabra, a desta noite escura
Onde tudo é escuridão e temor...
Jaz morta a memória do terno amor,
Aos pés do negro espectro da amargura.
Momento negro de agonia e morte,
Onde não há silêncio que conforte
As convulsões de um anjo moribundo...
Mais negro instante, aurora de tristeza...
Homem, esta é a tua natureza!
Ser o carrasco do teu próprio mundo...
Não Quero a Vida Assim
Como as memórias do meu negro ser.
Fere demais continuar a viver
Nas sombras desta existência vazia.
Não quero a vida assim, sem fantasia,
Distante de quanto amei sem saber.
Não me quero encontrar, para me perder
Nos soturnos desertos da agonia.
Não quero sonhar com breves encantos
Para os ver desabar nos negros prantos
Que são tudo quanto resta no fim.
Se é para continuar neste deserto
De ver longe tudo quanto quis perto,
Então não quero a vida que há em mim!
Nostalgia
Como um breve sussurro inacabado,
Recordando os momentos de um passado
Que julgava viver eternamente.
Disseste que ias estar sempre presente,
Mas, no final, não estavas do meu lado
Quando o meu sonho se tornou pecado
E a luz quebrou face ao mundo indiferente.
Hoje, sozinha na bruma da história,
Não tenho senão a breve memória
Do passado e a eterna nostalgia.
Obrigada pelo encanto que me deste.
Se fugiste de mim, se me temeste,
Sempre deixaste a voz da fantasia…
Ousadia
Tu, que não tens sequer um sentimento!
Nunca viveste, nem por um momento,
Presa no teu sonhar de alma perdida.
Nunca sentiste a esperança destruída
Nem o vazio do eterno desalento.
Que sabes tu, pois, do meu pensamento?
Que conheces da minha alma escondida?
Como podes tu ter a ousadia
De me chamar de fútil e vazia?
Tu, que vives escondida e abrigada…
Olha para ti! Tu nunca conheceste
Mais que vazio! Tu nem sequer viveste!
Que sabes tu de mim? Não sabes nada!
Friday, September 28, 2007
Abismo
Por aqueles a quem te entregaste sem resistir,
Pelos sonhos que abandonaste em nome da amizade,
Pela inútil esperança de fidelidade,
Por toda a devoção que dedicaste a almas vãs,
Pelos sonhos vencidos de mil amanhãs,
Por todas as memórias que deixaste por contar,
Pela paz que recusaste sem hesitar,
Pelas mãos onde a tua vida perdeu o sentido,
Pelo espectro banal do teu mundo perdido,
Pelo mundo que te viu sofrer, indiferente,
Pela amizade que jurou viver eternamente,
Por tudo o que amaste, apenas para perder,
Por tudo o que deste, para não receber,
Por todos os sonhos que ficaram por viver,
Esquece quem és e o mundo que falhou,
Olha o abismo onde tudo terminou,
Fecha os olhos, mergulha…
E deixa-te morrer.
Homens
Homens de pedra, ausentes e distantes,
Eu sou a voz do inalcançável nada
Que se esconde na sombra dos instantes.
Sou eco dos murmúrios inconstantes
Que se perdem na noite abandonada,
Onde os sonhos noutro tempo brilhantes
Quebram nas cinzas da noite magoada.
Homens cruéis, de sombra e noite escura
É feita a casa da eterna amargura
A que me condenou a vossa mão.
Mas um tempo há-de vir em que o vazio
Do vosso universo sinistro e frio
Há-de implorar pela voz do meu perdão!
Lua de Sangue
Sinistro eco de um sonho sem lugar,
E, perdido nas ruas da amargura,
Caminha um anjo que não sabe amar.
Alma quebrada, incapaz de voltar,
Vagueia nos silêncios da loucura.
O mundo negou-lhe a sua ternura.
A vida nunca quis acreditar.
Ligado à voz de um destino mais forte,
Anjo de sombras, mergulha na morte
De tudo aquilo que algum dia amou.
E, de súbito, aos céus erguida em pranto,
Surge uma lua de sangue e de encanto,
Em memória do sonho que quebrou…
Estrela sem Destino
O doce encanto da noite perdida,
O reflexo da paz indefinida
Que prometia um futuro brilhante.
Era o puro esplendor de cada instante,
Divindade nas sombras reflectida,
Mas hoje jaz em cinzas minha vida
E o sonho que criei está já distante.
Era a promessa de um amor divino,
Mas hoje sou só estrela sem destino,
Num caminho sem sentido nem norte.
Fui sonho perfeito. Hoje, nada sou,
Presa nas cinzas de quanto quebrou.
Que restará de mim depois da morte?
Thursday, September 06, 2007
Lágrimas
Como sombras pelo rosto quebrado
Do anjo prostrado no chão,
Vencido pela mágoa de toda uma vida
Perdida na infinita escuridão.
Lágrimas quentes, salgadas,
De mágoas quebradas
No abismo de uma vida sem futuro,
Tristes como o silêncio disperso,
Submerso pelo ódio escuro
E pelas cicatrizes do passado.
Toda uma alma abandonada em água,
Olhos de mágoa
Sangram no abismo da infinita dor,
Onde o silêncio é vão e a noite é fria,
E a alma vazia
Chora a ausência do amor.
Anjo Crepuscular
Leva-me contigo. Não! Não te quero.
Os teus caminhos não serão os meus,
Pois apenas a morte que espero,
Enquanto voas no esplendor dos céus.
Tu vives no crepúsculo de um deus
E eu, no negro das noites, desespero.
Tu és o anjo dos sonhos e do adeus
E eu não sei nem quem sou ou o que quero.
Não! Não me leves. A tua pureza
Nunca estará na minha natureza.
Nunca terei teu sublime esplendor.
Vai, simplesmente, nas asas da vida,
Ser luz eterna da paz renascida.
Na sombra, eu serei só o meu amor.
À Porta
À porta do silêncio e da amargura
Deixei minhas asas de solidão,
Pois, perdida na sombra da loucura,
Tentei fugir de mim, mas foi em vão.
Deixei-me cair na eterna escuridão
Que foi a essência da minha alma obscura,
Porque, no abismo da condenação,
Não há misericórdia nem ternura.
Abandonei meu sonho derrotado,
Minha breve memória de um passado
Que vivi sempre, mas nunca senti.
À porta do vazio e da tristeza,
Deixei, quebrada, a minha natureza
E, perdida do meu sonho, morri…
Tuesday, August 28, 2007
Olhos de Sombra
Onde a minha inocência se perdeu,
Caminha uma voz de ódio e de amargura,
Memória de um destino que morreu.
A sombra que reconheces como eu
Não passa de uma fantasia obscura,
Criada para esconder quanto de meu
Se vendeu ao vazio da noite escura.
Não sou quem vês, este demónio breve
Que ocupa o espaço onde minha alma esteve,
Espectro de horror e infinito sadismo.
Não… A minha crueldade é uma fachada
Que oculta em si as sombras do meu nada,
O que restou de mim, depois do abismo…
Ele Morreu
Que não se cale nunca a tua dor!
Pois, entre as sombras do nada e do amor,
Quebrou a etérea luz da tua rosa.
Chora comigo, oh, dama tenebrosa,
Pois não há na vida senão temor!
Que seja sempre o negro a tua cor,
Noite como eu sombria e pesarosa.
Grita comigo em estertores de agonia!
Que nunca dês lugar à luz do dia
E fiques, sempre, negra como eu.
Num cântico de dor fria, perdida,
Chora comigo o vazio desta vida.
Que o mundo morra, já que ele morreu!
Coração Humano
Coração preso em angústia mortal.
Ecoa no meu espírito quebrado
Do imenso abismo o cântico final.
O meu sonho é de noite espiritual,
Memória de um destino derrotado.
Não conheço de mim senão o mal
Das negras cicatrizes do passado.
O meu espírito é sombra sem sentido
E, nesta existência de anjo vencido,
Vivi toda a eternidade num ano.
Em cinzas se desfez meu sonho eleito...
Bate, contudo, dentro do meu peito,
Um coração negro... Mas sempre humano...
Raio de Luz
Perdida entre silêncio e solidão,
Passava, qual fantasma de amargura,
Raio de luz cruzando a escuridão.
Espectro de infinita condenação
Entre as cinzas de uma ruína obscura,
Pisava a estrada do universo vão,
Sombra entre as sombras de uma noite escura.
Anjo celeste aos infernos descido,
Passava pelo mundo destruído,
Memória de um futuro inacabado.
Perdido num silêncio interminável,
Anjo do abismo, morto, incontornável,
Raio de luz nas trevas apagado…
Sombras e Espectros
Nas cinzas de minha alma condenada,
Como a memória de um sonho perdido,
Abandonado ao mais completo nada.
Uma sombra distante, abandonada,
Atravessa o meu coração vencido,
Como uma promessa fria, quebrada,
Perdida nos confins de um céu esquecido.
Espectros vazios, de horror e de amargura,
Cruzam as sombras da minha loucura,
Como ecos de um destino que morreu.
Sombras e espectros, fantasmas e dor,
Atravessam minha vida sem cor,
E tudo habita em mim… excepto eu.
O Sangue dos Inocentes
Se movem as teias do teu sentido,
Tu que, no horror de um mundo destruído,
Te alimentas da alma dos condenados.
És negro como a sombra dos pecados
Que crias em cada sonho vencido,
Tu que, indiferente ao lamento perdido,
Não sentes senão sonhos derrotados.
Mundo, o teu negro horror é tenebroso,
Quando, entre sombras, vens, silencioso,
Com profecias cruéis, inclementes.
E o tempo que te chama é incompleto,
Sentinela de um túmulo secreto,
Lavado no sangue dos inocentes!
Deixa a Alma Gritar
Em silêncio, então deixa de o fazer.
Se o mundo diz que mereces sofrer,
Então não escondas teu peito rasgado.
Não finjas que o teu coração magoado
Não sente as agonias de viver.
Não escondas o que sentes. Deixa-os ver
O que tanto quiseram ver quebrado.
Não te feches mais. Deixa a alma gritar
Pela dor com que quebraram teu olhar.
Para de fingir que és indiferente.
Deixa que vejam. Não é o que querem?
Talvez quando souberem e entenderem,
Te permitam dormir eternamente…
Wednesday, August 08, 2007
Acção e Reacção
Perdido num silêncio sem lugar.
Estendeu os braços nus ao céu sagrado,
Como se me pedisse para o salvar.
Nos seus olhos de quem não sabe amar,
Chorava a dor de um coração quebrado.
Nos seus braços cansados de lutar,
Havia o frio do sonho derrotado.
Olhou para mim, numa angústia submissa,
Num silencioso grito por justiça
Face ao vazio de tudo o que não sei.
E olhei para ele, triste anjo sombrio,
Estendi meus braços para o seu vazio
E, olhando o seu olhar, também chorei…
Os Olhos de Sirius
Ele é o anjo da condenação.
Olhos soturnos, cor de escuridão,
Reflectem a luz de quanto procuro.
Sinistro e frio, mas inocente e puro,
Ele é o rosto, a soturna expressão
Da eternamente negra solidão
Que marcou seu passado e seu futuro.
Sombrio olhar de inefável tristeza,
Nele se esconde a inocente beleza
De uma pena que não lhe pertenceu.
Olhar de solidão, melancolia…
Príncipe de ilusão e fantasia,
Perdido e condenado, como eu…
Versos de Sangue
Pela voz da morte corpo enfraquecido,
Dito, nesta agonia indefinida,
Versos de sangue e de sonho perdido.
Agonizante, corpo destruído,
Moribunda essência de alma perdida,
Murmuro versos negros, sem sentido,
Frios como a noite que me tem vencida.
Como um murmúrio, partem, indomáveis,
Negros versos de horror, intermináveis,
Arrancados à alma em convulsão.
Poemas moribundos de alma rasgada,
Vão, no meu sangue, em direcção ao nada,
Deixando em mim só morte e escuridão...
Sob as Asas dos Caídos
Pela miséria dos sonhos destruídos.
Encontrei, entre sonhos derrubados,
Meu refúgio na sombra dos vencidos.
Escondida sob as asas dos caídos,
Vivo distante dos ideais amados.
Não tenho já futuro nem sentidos,
Mas apenas meus sonhos derrotados.
Entre os quebrados da vida cruel,
Escondo a tristeza de uma alma fiel,
Para sempre condenada à escuridão.
Também eu sou só um anjo caído,
Sonhando ainda com um céu perdido.
As minhas asas nunca voarão!
Lágrima Prevista
Passa pela mente distante, vazia.
Instala-se, então, a melancolia
E o negro sonho sente-se perdido.
Vem, depois, a procura de um sentido
Para uma vida sádica e sombria.
Seguem-se o desespero e a agonia
De nada ver senão o céu vencido.
Trava-se, então, a guerra da vontade
De viver contra a dor da eternidade.
Quer quebrar a alma… A voz não o fará.
E é só no fim, quando a dor é mais forte,
Que o silêncio que prenuncia a morte
Surge à luz da lágrima que virá.
Saturday, March 10, 2007
Um Murmúrio Distante
Anda um encanto perdido, inconstante,
Perdido num momento fugidio
Do seu eterno sonho cintilante.
Passa por mim um murmúrio distante,
Eco esquecido de um sonho sombrio,
Gravando, na memória de um instante,
As palavras de um canto morto e frio.
Escondidos no silêncio dos perdidos,
Pairam no ar sentimentos esquecidos,
Memórias sem caminho e sem sentido.
E esse murmúrio breve, inacabado,
Guarda o meu sonho, morto, derrotado,
No meu sepulcro de anjo destruído...
Meu Santuário
Se transformam em sombras de loucura,
Paira uma cruz da cor da noite escura
Em memória do meu mundo perdido.
Onde morreu o último anjo caído,
Por entre as cinzas da eterna amargura,
Ergue-se o altar de uma magia obscura,
Onde o meu espírito foi consumido.
Onde eu sou o que sou e a sombra passa
Por entre os ecos da minha desgraça,
Há um templo de noite e escuridão.
Meu santuário do tempo derrotado...
Aqui jazem as cinzas do passado,
Na sombra da eterna condenação...
Amas-me?
Que permanece algures em mim perdida.
Agora vês que toda a minha vida
Foi desperdiçada em nada e loucura.
Agora vês que espectro me tortura,
Que horror me guia a mente enlouquecida.
Agora sabes que sombra esquecida
Ficou da minha indecisão obscura.
E, agora que todo o tempo perdido
Põe fim à minha vida sem sentido
E surge, breve, a promessa do fim,
Pergunto... Agora que viste o pecado
Que assombra os fantasmas do meu passado,
Amas-me ainda? Ainda gostas de mim?
Vitae Lux
Brilha uma estrela etérea, indefinida,
Iluminando a sombra escurecida
Que vagueia nas brumas da loucura.
Brilha, distante, eternamente pura,
A mais perfeita das luzes da vida,
Atenuando a dor da alma perdida
Que, no vazio das sombras, a procura.
Sozinha, no infinito céu distante,
Resplandece, nas alturas, brilhante,
A estrela da promessa de outro céu.
E, na terra, anda um vulto misterioso,
Lamentando um destino tenebroso.
Brilha para mim, doce estrela! Sou eu!
Friday, February 02, 2007
Ad Amicos
Meus mais que queridos amigos,
Eis-me chegada à minha mais negra hora.
Já nem a vossa presença,
A vossa força
E a vossa coragem
Conseguem afastar do meu pensamento
As trevas dos fantasmas que me assombram.
Sinto, mais que nunca,
Uma escuridão assombrosa
Dentro do meu peito.
A minha alma é percorrida
Por uma constante onda de angústia
E tenho a impressão que,
Dentro do meu peito,
O bater do meu coração
É cada vez mais débil,
Mais distante.
Não tenho mais forças
Para continuar a suportar
A terrível tortura de cada dia,
A agonia de cada instante.
Chegou a hora
De deixar cair a vida,
Ainda que isso signifique abandonar-vos.
É cobardia, eu sei.
Abandonando-me,
Provo aquilo que sempre foi uma suspeita:
Que sou indigna da vossa confiança,
Que não mereço a vossa amizade,
Que o vosso tempo
E os vossos sentimentos
Foram desperdiçados em mim.
Mas,
Se os meus passos me guiam para o abismo,
Mesmo sabendo o mal que vos farei,
É porque não me restam já alternativas
E é inadiável a hora da queda.
Toda a minha alma é vossa...
Adoro-vos com todas as minhas forças,
Mas não posso mais ficar.
O meu último pensamento é vosso,
Meus amigos,
E é uma súplica desesperada,
Em nome de tudo o que fomos.
Perdoai-me...
Por favor, perdoai-me.
Infiel
Para ver quem tu verdadeiramente eras,
Foi preciso que eu voltasse a cair.
Foi preciso que, nos espasmos dolorosos da vida,
Gritasse o teu nome, uma, outra e outra vez,
Implorando o teu apoio e a tua ajuda,
E que, enojada, te recusasses a aproximar de mim...
Foi preciso
Escutar as tuas acusações injustas
De que caí apenas porque quis
E de que não me volto a erguer
Porque me é agradável a dor insuportável que sinto.
Foi preciso ver nos teus olhos
O desprezo e a repugnância que sentes
Para entender que estava errada a teu respeito.
Porque eu acreditei em ti...Mas tu não valias nada.
Saberás tu, porventura,
O que é morrer por dentro na aurora da vida?
Será que sabes
A dor que se sente por dentro
Ao ver tudo aquilo que alguma vez teve significado
Ser reduzido a cinzas, pó e nada?
Saberás tu como queima por dentro
Ser-se traído, recusado e abandonado
Por aqueles que se fingiam amigos?
Não sabes, pois não?
Então, responde-me, agora:
Sou eu que quero ser assim?
Achas que gosto de estar assim?
Abri-te a minha alma, cegamente,
E, contudo, quando estava já ferida,
Acabaste de a matar...
Mas lembra-te de uma coisa...
Do vazio eterno de onde a minha alma te observa,
Enquanto eu me arrasto nesta existência inútil,
Ela vê, como eu agora vejo,
Aquilo que tu és,
E sabe, como eu sei,
Que, um dia, também tu vais descobrir a dor,
A mágoa,
A tristeza,
A solidão
E o abandono,
E, então, vais compreender
Aquilo que eu te disse muitas vezes
Mas que tu não quiseste escutar:
Que também os filhos da noite têm sentimentos,
Também amam,
Também sofrem
E também morrem de dor.
...Mas tu não compreendes isso...
Pois não?
Ira
Sempre inconstante, sempre diferente.
Há em ti um silêncio tenebroso
Que cobre a escuridão da minha mente.
Mudas com uma certeza indiferente...
Num momento, um sorriso radioso,
Depois, um esgar de raiva, ódio evidente,
Por fim, silêncio negro, pesaroso.
És uma sombra fria, indefinida,
A memória etérea da própria vida
De quem viveu eternamente preso.
Mas não escondas em ti a tua dor,
Pois, neste mundo de morte e temor,
Prefiro a tua ira ao teu desprezo!
Fantasia Obscura
Alma de escuridão tempestuosa.
Sou a sombra da morte tenebrosa,
Perseguindo o espectro da própria vida.
Sou o limite da esperança perdida,
A voz de uma canção silenciosa,
A noite negra da mais negra rosa,
Profecia de uma vida vencida.
Sou um campo de flores, destroçado,
Florido mês de Abril, despedaçado,
Radiante céu azul, escurecido.
Ah, não haver em mim uma miragem
Que arrancasse das brumas minha imagem
E desse à minha vida algum sentido!
Último Adeus
E tudo aquilo que um dia foi teu,
Sabe que, depois de ti, fica a glória
De quanto, na vida, te aconteceu.
Se é tempo de rejeitar o teu eu,
Para deixar apenas a memória,
Sabe que a tua lembrança não morreu
E que é essa a tua maior vitória.
Mas, se tens medo, não do que se segue
Nem da sombra que sempre te persegue,
Mas apenas da dor da despedida,
Olha, pela última vez, a natureza
E canta o teu lamento de tristeza:
Não tenhas medo de chorar pela vida!
Herdeiro
Como eu, a sombra dos anjos caídos,
Não deixes que os teus sonhos destruídos
Apaguem em ti toda a fantasia.
Não deixes que uma existência sombria
Possua à força a flor dos teus sentidos.
Mantém para os céus os teus olhos erguidos
E a tua vida não será vazia.
Não esqueças a pureza e a inocência,
Na escuridão de um mundo de demência
Onde ninguém te respeita ou te sente.
Sê forte, herdeiro meu, meu anjo de água.
O tempo apagará a tua mágoa.
A vida há-de guardar-te eternamente...
Friday, September 29, 2006
Indiferença
Sem sequer me sentir ou observar.
Também eu sinto a vida mais distante
Que tudo quanto um dia soube amar.
Não me importa, se a morte me levar
Para longe desta agonia constante,
E apenas no alto céu me libertar,
Mais uma estrela no céu cintilante.
Não interessa que este instante dormente
Se continue, sempre, eternamente,
Até onde se desvanece o ser.
Se a vida quer partir, boa viagem!
Não me interessa mais esta miragem!
Já não importa! Não quero saber!
Chuva
Cai,
Gélida e cruel, sobre o meu corpo morto,
Arrastando consigo as memórias do passado
E as esperanças de um futuro que nunca virá.
Molha o meu corpo e foge com a minha alma,
Levando, entre o sangue e a lama,
As cinzas do meu espírito vencido.
Fria e impiedosa, cai sobre o meu corpo,
Para arrefecer o meu corpo ainda morno
E cortar o calor do meu sangue.
Cai, para me sepultar num túmulo molhado,
Oculto aos olhos dos homens,
Escondido dos filhos do mundo,
Guardado pela mente de Deus.
Cai sobre mim, suave e pesarosa,
Como se os próprios céus chorassem a minha morte
E a natureza me lamentasse.
Inunda o mundo que me rodeia,
Desfazendo em água a história da minha vida
E os traços incompreensíveis da minha alma.
E o mundo passa, frio e indiferente,
Sem compreender que a chuva, que os molha,
Que inunda as suas vidas
E que percorre o seu mundo,
É a mensageira da minha memória,
A protectora dos meus sonhos perdidos,
A voz da minha alma destruída,
Morta na aurora da inocência,
Silenciada
Pela crueldade do mundo.
O mundo passa,
Mas não compreende
Que, ao aniquilar o meu corpo,
Me preserva consigo para sempre.
Cai, carinhosa e doce, sobre o meu corpo morto,
E leva nos seus braços a minha alma,
A mensagem da inocência destruída...
O mundo que passe...
Os homens que esqueçam...
A natureza lembrará para sempre!
Mortalitas
10/09/2006
Deusa negra da loucura e do sono infinito,
Que caminhas pelas estradas do mundo,
Arrastando atrás de ti
O sopro de vida dos teus escolhidos,
Indiferente a todos os pedidos de mais tempo
E a quaisquer súplicas por misericórdia...
Senhora sombria do nada eterno,
Que governas a vida para além da vida,
O infinito vazio
Que se segue à existência...
Morte, que passas entre os homens,
Detém os teus passos
E, por um momento,
Dirige para mim o teu olhar vazio.
Enquanto outros te pedem que os poupes,
Eu estou aqui e peço-te que me leves!
Enquanto os homens te imploram mais um dia de vida,
Eu peço-te: nem mais um instante!
Enquanto eles te pedem
Que os deixes viver o que ainda não viveram,
Eu imploro-te,
Ajoelhada perante a tua grandiosa presença,
Que não me obrigues a suportar mais um segundo
Daquilo que vivi.
Eles pedem-te a vida,
O futuro.
Eu peço-te o descanso, o eterno nada,
A morte.
Contudo, quando passas,
Nem te dignas dirigir-me um breve olhar.
Porque me negas?
Se eu te venero, se te adoro...
Se te peço que olhes para mim?
Porque me recusas a tua paz?
Se eles te pedem mais um dia de vida,
Se não entendem como é belo o que prometes,
Então deixa-os ficar, por mais um dia,
Na futilidade da sua vida inútil,
E leva-me a mim,
Que te espero,
Que te quero,
Que te desejo!
Leva-me nas tuas asas de noite
E deixa-me flutuar no vazio!
Deusa negra, amada senhora,
Toda-poderosa morte,
Deixa-os ficar,
Porque eles não sabem como és bela!
Deixa-os, por um momento,
E aceita-me.
Leva-me contigo,
Porque te amo como eles nunca saberão!
Olha para mim...
Estende-me os teus braços...
Leva-me contigo para o infinito!
Tuesday, September 05, 2006
Amo-te
Amo-te
Com toda a loucura do desespero,
Com toda a angústia de quem sabe que só tem um dia para viver.
Amo-te,
E a minha alma moribunda
Grita o teu nome por entre o estertor da agonia,
Pedindo para te ver.
A meus olhos, és a mais bela obra do criador,
A perfeição presa num corpo mortal.
És tudo aquilo com que eu sempre sonhei,
O amigo que sempre quis ter do meu lado,
O amante que desejei,
O companheiro que idealizei nos meus sonhos.
És igual a mim...
Os teus ideais de vida são os meus.
Tens a mesma forma de ver as coisas mais misteriosas,
Aquele fascínio pelas trevas que o mundo não consegue entender.
Queres apenas viver a vida e ser feliz... como eu.
És igual a mim...
A tua alma é igual à minha
E o teu coração bate no mesmo compasso.
És como eu...
Mas eu,
Que digo que te amo,
Sinto que não te sei amar como mereces.
Eu, que te quero,
Sei que serás mais feliz com outra que não eu.
Eu, que te desejo com todas as minhas forças,
Vejo que nunca encontrarás em mim a felicidade
E desisto de lutar por ti.
Deixo-te partir,
Porque vejo que mereces mais que a minha alma destruída,
Que o meu coração ferido e torturado pelo passado.
Deixo-te,
Porque sei que mereces mais que um amor limitado,
Definido pela indiferença face à vida e o desprezo face ao mundo.
Deixo-te,
Porque sinto que ficarás melhor protegido por outros braços
E, se tu estiveres bem,
Então nada mais interessa.
Vai em paz...
Vai com a certeza de que o meu coração será teu eternamente,
Mas que não será em mim que descobrirás a felicidade.
Vai,
Porque é meu desejo que corras para o teu futuro
E não que fiques, como esta alma quase morta,
Preso ao passado.
Vai... Eu deixo-te partir...
Porque te desejo... E desejo que encontres a felicidade...
Porque te quero... E quero que tenhas a alegria que não te posso dar.
Porque te amo...
...E, por isso, liberto-te.
Destruída
24/08/2006
Quebraste-me,
Como a um barco perdido contra os rochedos da costa,
Como um frágil ramo de árvore que se estendia para o sol,
Como um corpo despedaçado no fundo de um profundo abismo.
Quebraste-me...
Mais impiedoso que o negro anjo da morte,
Desceste sobre mim e lançaste-me na dor.
Reduziste a cinzas os meus antigos sonhos
E abandonaste-me ao vazio da minha vida destroçada.
Quebraste-me,
Com a mesma indiferença com que olhas um monte de lixo,
Com a mesma facilidade com que caminhas a cada dia,
Com a mesma irresponsabilidade com que sempre agiste.
Quebraste-me...
Olhaste para mim e nem sequer me reconheceste,
A mim, alma concebida por ti.
Rejeitaste-me, com um olhar de repulsa,
Como se eu não fosse senão um verme repugnante
Que merece ser pisado.
Abandonaste-me, na aurora da vida,
Para morrer longe de tudo quanto amei.
Quebraste-me...
Quebraste a minha alma
Com a ignorância dos teus actos irresponsáveis.
Cravaste no meu coração
O punhal da tua indiferença e falta de amor.
Transformaste o meu corpo
Num destroço abandonado à fome e à morte.
Deixaste-me no mais estéril deserto,
Para morrer, quebrada e destruída.
Negaste-me toda a esperança de felicidade,
Mas proibiste-me o refúgio de uma morte piedosa.
Abandonaste-me, sozinha neste mundo cruel,
Para viver, para sempre, nas sombras
Do desgosto e da tristeza.
Recusaste-me, depois de morta e destruída,
Caída dos meus sonhos,
E deixaste-me apodrecer em vida,
Para não ouvires de mim
A acusação que ainda assombra o teu espírito,
Que nunca te deixará...
Quebraste-me!
Sempre, Eternamente...
Que esperavas durar eternamente,
Choras sozinha, à falta de um amigo
Que apague em ti essa dor permanente.
Silenciosa, quase inconsciente,
Indiferente à dor, ao medo e ao perigo,
Lamentas o sofrimento presente
Que todo o mundo abandonou contigo.
Sempre serena, imóvel, impassível,
Observando a barreira intransponível
Que te afasta de tudo quanto amaste.
Calma, como se o tempo não passasse,
Como se a eternidade te deixasse
Esquecer a vida que um dia sonhaste!
Filho da Noite
Em meu nome caído da inocência,
Dorme na luz da tua inconsciência,
Que eu velarei tua alma destruída.
Filho da noite, da noite perdida
Da angústia sem socorro ou assistência,
Fecha os olhos e deixa a consciência
Fugir de ti para a minha alma esquecida.
Meu pequenino, luz dos meus momentos,
Dorme, que eu velarei teus sentimentos,
E deixa-te embalar pela doce luz.
E, se a morte te chamar em segredo,
Abre os teus braços e não tenhas medo,
Que eu ficarei para suportar tua cruz!
Sacríficio
Durante anos de dor e de agonia,
Pedindo aos deuses da noite sombria
Que essa dor redimisse o teu pecado.
Sofri a angústia de um corpo magoado,
De uma alma ferida, para sempre vazia,
Dando o sacrifício de cada dia
Para que pudesses ser libertado.
Durante mais anos que a eternidade,
Renunciei à minha liberdade
E em mim tomei tua dor, fria e serena.
Mas, cansada, levanto-me da lama,
E, erguendo os braços ao céu que me chama,
Entendo que, por ti, não vale a pena!
Ancestral
À tua suposta superioridade,
Respeitei tua presença e tua vontade
E dediquei-te toda a minha vida.
Como a uma divindade enaltecida,
Adorei-te, na imensa eternidade,
E vi em ti a perfeita verdade
Da antiga sabedoria esquecida.
Representavas, meu antepassado,
Uma força superior, um legado
De alta sabedoria incontestada.
E eu, cega por aquilo que sentia,
Pus em ti toda a esperança de alegria
E amei-te, mas tu não valias nada!
Campo de Lamentos
Em que todos os sonhos se apagaram,
Perdidos nas memórias que ficaram,
Incapazes de dar sentido à vida.
Ainda lamento a criança perdida
Na solidão das trevas que restaram,
Dos sonhos vãos, que outros ventos levaram
Para longe da esperança destruída.
Ainda magoa a memória sombria
Daquele grito de vida vazia,
Lançado, em desespero, aos quatro ventos.
Eu sou a inocente condenada,
Que se arrasta, ferida e destroçada,
Entre as cinzas de um campo de lamentos!
Semper Tuam
O amor que te tinha, a mágoa levou.
Tudo o que quis, o meu tempo, apagou.
Arderam os sonhos que imaginei.
Perderam-se as forças com que te amei.
A minha vida, o ódio a destroçou.
Meu ser morreu. Meu coração quebrou.
Desfez-se em cinzas tudo o que sonhei.
Hoje sou só uma sombra vazia,
Espectro vazio de uma vida sombria,
Cinza perdida, varrida para a rua.
Mas se, um dia, o meu sonho renascer
E o fogo que morreu voltar a arder,
Garanto que essa chama há-de ser tua!
Thursday, June 01, 2006
Rainha dos Caídos
Escondida na distância de um olhar,
Por entre as sombras da noite perdida,
Chora, sozinha, quem não sabe amar.
Perdida numa vida sem lugar,
Marcada pela esperança destruída,
Chora, perdida, sem poder parar,
Abandonada na aurora da vida.
Perdida num olhar de angústia fria,
Sorriso triste de uma alma vazia,
Chora, vencida, rainha dos caídos.
Num sudário de noite mergulhada,
Chora, para sempre, a vida destroçada,
Alma morta, mas viva entre os vencidos!
Será Como Quiseres
Diz-me que morra e acontecerá.
Diz que deixe esta vida sem sentido
E como tu quiseres se fará.
Não é nada que eu não deseje já...
Partir deste infinito destruído
Onde, sem pensar, te deixei perdido,
Abandonado à mágoa fria e má.
Se quiseres que me perca, que me esqueça,
Ou, simplesmente, que desapareça,
Ordena, pois será como quiseres.
Mas, longe de ti, não peças que viva,
Pois nesta vida esquecida e furtiva,
Não há luz longe de onde tu estiveres!
Memento Mori
Como um fantasma negro e inconstante,
Deste mundo soturna caminhante,
Nessa noite, a morte passou por mim.
Com um sussurro leve, de cetim,
Voltou para mim o seu olhar brilhante
E, num sorriso vazio e distante,
Mostrou-me que futuro via em mim.
Mostrou-me anos e anos de existência
Num mundo sem piedade ou inocência.
Mostrou-me uma vida inteira a sofrer.
“Mas tem fé, – disse – porque o tempo passa!
E, por mais forte que seja a desgraça,
Lembra-te de que um dia hás-de morrer!”
Miragens e Ilusões
Miragens de um passado abandonado,
Fantasmas de segredos destruídos,
Ilusões de um futuro inacabado...
Espíritos mortos de um mundo apagado,
Almas sem dono, corações vencidos,
Vultos de dor, de tormentos errados,
Ecos de angústia, espíritos perdidos.
Sombras que sangram na noite sombria,
Onde antes brilhou, pura, a luz do dia.
Uivos de morte e lamentos de dor.
Assim é feito o mundo! Assim a vida
Caminha, por entre as sombras perdida,
Num mundo sem magia e sem amor!
Alma
Que te esvais em constante sofrimento,
Porque te revoltas? Porque te agitas?
Qual é a causa do teu desalento?
Alma, que cantas tão triste lamento
Que as sombras da dor se tornam malditas,
Porque é que é tão negro o teu sentimento?
Que se prolonga em horas infinitas...
Porque é que a cada hora, a cada instante,
Sinto a angústia do teu choro incessante,
A tortura da angústia que te prende?
Porque, depois de marcada e vencida,
Pediste piedade aos filhos da vida,
Para ver que ninguém te compreende!
Tonight We Die
O eterno adeus à vida e à agonia.
Acabou a nossa esperança vazia,
Para que o nosso sonho se cumpra agora.
Em nosso nome, nenhuma alma chora.
Ninguém fica que nos recorde um dia.
É tempo pois, e a nossa fantasia,
Neste momento, não mais se demora.
Chegou, amado, o momento esperado,
Em que todo o sofrimento é negado
E, juntos, perdoamos todo o mal.
Morremos esta noite, meu amado,
Deixando à vida um sonho destroçado
E a força desta decisão final!
Friday, May 05, 2006
Irmãos de Sangue
Uma só força em dois corpos iguais.
Fomos um só, irmãos espirituais,
Divina ligação de almas sagradas.
Num mundo de almas amaldiçoadas,
Fomos eco das vozes celestiais.
Fomos a luz das almas imortais,
A pureza e a paz abençoadas.
Fomos o amor, a eterna majestade,
A perfeição da pura eternidade,
Um raio de luz na noite perdida.
E hoje que o nosso tempo acabou,
Somos, no mundo que nos condenou,
Irmãos na morte, tal como na vida!
Último Sacrifício
Olhos cerrados de intensa agonia,
Um vulto negro na luz fugidia
Lamenta a sua vida sem sentido.
Expressão sombria, voz de anjo caído,
Alma sem sonho, amor ou fantasia,
Aguarda o cair da noite vazia,
Vida vencida num mundo perdido.
Ergue o olhar aos céus, no gesto cego
De quem jamais teve algum aconchego
E grita para os céus celestiais:
“Aceita, Deus, este último tributo!
Tu, que me deste uma vida de luto,
Recebe agora os meus gritos finais!”
Antes do Amanhecer
Em pesadelos de agonia e dor,
Vagueia a minha mente, em vão furor,
Lutando contra a dor e contra o frio.
Dor infinita... A vida por um fio...
Gritos, gemidos, lágrimas, horror...
Morte eterna... Medo devastador...
Orações mudas para um céu vazio...
Tortura eterna de um sono maldito,
Perdido por entre um espaço infinito
De sofrimento e sonhos sem sentido.
Acalma o teu temor, alma perdida,
Porque prometo hoje que a tua vida
Antes do amanhecer terá partido!
Canto de Amor Perdido
Para onde vais? Perdido em pensamento...
Quem choras, neste antro de desalento?
Quem és? Que imensa dor em ti se eleva!
Quero saber quem és! Talvez não deva...
Tortura-me a dor do teu sentimento!
És jovem, ainda! A vida é um momento!
Quem lamentas, nos túmulos de treva?
“Amada – dizes – porque me deixaste?
Que força te levou a que saltasses
Para o nada em que te despedaçaste?”
Então, vejo em mim preso o teu olhar
E sinto que, por muito que implorasses,
Força alguma me faria voltar!
Luz do Mundo
Que fingi desconhecer a tua vida.
Sei que te abandonei, cega e vencida,
Quando eras tu a esperança de meus dias.
Escolhi caminhos vãos, falsas magias.
Longe de ti, deixei-me ser perdida.
Afastei-me da tua luz querida
Em troca de ilusórias fantasias.
Deixei-me vencer e dei-me ao profundo.
Afastei-me de ti, luz do meu mundo
E abandonei-me ao nada sem sentido.
Senhor, sei que me mantive afastada,
Mas peço-te, hoje: salva-me do Nada!
Toma de volta o teu anjo caído!
Dorme...
Em sofrimento e dor... e nada mais,
Dorme, meu anjo, nas horas fatais
Que te derrubaram, abandonado.
Caído da inocência, amaldiçoado
Por crimes de outros tempos ancestrais,
Dorme, meu filho... Não... Não sofras mais.
Mais um momento e terá terminado.
Vencido por uma vida sem dono,
Destruído e condenado ao abandono,
Dorme, meu anjo, na noite inclemente.
Fecha os olhos e o céu estará contigo!
Acalma a tua dor, meu querido amigo
E dorme em meus braços, eternamente!
Era Uma Vez...
A beleza de um sonho que foi meu.
Brilhava, como a luz de um sentimento.
Sorria, até que a beleza morreu.
Era uma vez um belo pensamento,
Beleza eterna de um eterno céu.
Voava, livre, nas asas do vento.
Sonhava, até que o sonho se perdeu.
Era uma vez um espírito inocente,
Brilhante na beleza da sua mente,
Bela, até que a sua mágoa apareceu.
Era uma vez... Morreu hoje a inocência!
Pois, na mágoa e na dor da consciência,
Caiu ferido o anjo que era eu!
Auto-retrato
Entre pequenos rasgos de loucura.
Por vezes maldita, por vezes pura...
Reflexo de uma vida tenebrosa.
Sorriso triste de alma pesarosa.
Olhar doce de infinita ternura.
Às vezes certa, às vezes insegura...
Imagem de uma dor silenciosa.
Olhar perdido entre a melancolia
Dos sonhos, da vida e da fantasia...
Expressão de um anjo caído do céu.
Reflexo triste do eterno abandono,
Como folha caída de um Outono...
Eis o quadro daquilo que sou eu!
Prece Macabra
Deus negro de toda a esperança perdida.
Faz-me sentir minha alma abandonada
E reviver a dor de ser esquecida.
Tortura-me com a imagem destroçada
De toda uma existência destruída.
Mostra-me o horror da vida inacabada
Onde a miséria me deixou vencida.
Faz-me sentir de novo angustiada,
Pelo decorrer dos dias torturada
E em sofrimento eterno enlouquecida.
Torna-me cega ao mundo, amaldiçoada
Pela dor, e pelo ódio derrotada,
E, depois, põe um fim à minha vida!
Abismo
Olho para além da tua eternidade,
Promessa de esquecimento e vontade,
Fim dos tempos de um sonho destruído.
Observo os teus confins onde, perdido,
Vagueia o espírito da minha idade.
No teu eco, sereno e sem maldade,
O meu nome é mil vezes repetido.
Abismo eterno, aceita-me em teus braços!
Quebra na tua sombra os negros laços
Que me prendem, e deixa-me fugir!
Porque toda a minha existência é negra,
Mas, mesmo assim, esta vida não quebra!
Abismo eterno, deixa-me cair!
Rosa
Alma serena na noite da vida,
Sorri para o mundo, mesmo se, perdida,
Não vês nada senão uma miragem.
Flor da vida, da mais perfeita imagem,
Reflexo de uma esperança destruída,
Ama a liberdade, mesmo vencida,
Mesmo que os sonhos estejam de passagem.
Flor da memória, imagem do futuro,
Mesmo que vivas caída no escuro,
Mantém a esperança de um dia melhor.
Ergue-te da noite, para a nova luz!
O tempo apagará a tua cruz!
A vida apagará o teu amor...
Súplica
Podes olhar e não sentir piedade?
Condenada para além da eternidade,
A um mundo de miséria interminável.
Podes permanecer inabalável
Perante tão grande acto de maldade?
Abandonada à minha insanidade,
Perdida numa dor insuportável.
Como podes ser surdo ao meu lamento,
Súplica de dor e de desalento?
Como consegues ser tão inclemente?
Olha para mim! Olha a minha agonia!
Olhando a minha dor a cada dia,
Deus! Podes permanecer indiferente?
Ars Moriendi
E flui, vida, para fora do meu ser!
Cai no nada em que me quero perder
E vence minha esperança destruída!
Mostra ao mundo o que é viver esquecida
No abismo da vontade de morrer!
Sai de mim, força que me fez mover
E põe, enfim, um fim à minha vida!
Rasga de mim cada ínfima estrutura
E faz com que eu caia na noite escura
Do abismo de uma alma que não sente.
Faz-me cair e aplaude o meu destino!
Anuncia ao mundo aquilo que ensino:
Permanece para sempre inconsciente!
Sirius
Apagou-se o teu brilho de alegria.
Esvaiu-se em noite a tua luz esquecida.
Em mágoa se extinguiu tua magia.
Viveste sempre uma luta sombria,
Aprisionado, sem culpa, sem vida.
Perdeste-te numa luta vazia,
Por quem a tua força foi vencida.
Perdido numa vida fria e nua,
Numa guerra eterna que não é tua,
Crês que os sonhos pertencem ao passado.
Mas os teus olhos brilham de saudade,
Recordando a tua antiga liberdade,
Perdida, para sempre, sem pecado!
Enlouqueceste?
Os sentimentos que vivem em ti!
Dizes que vives os melhores dos dias,
Que amas, finalmente, alguém aqui.
Enlouqueceste? Ainda não esqueci
As palavras amargas que dizias,
As lágrimas, que tanta vez colhi,
A derrota das tuas fantasias.
Dizes que desta vez será diferente,
Que o amor viverá eternamente,
Que ele é o anjo que sempre quiseste.
Pois digo-te eu que, se, neste momento,
Crês na ilusão desse teu sentimento,
É certo que, em verdade, enlouqueceste!
Messias Arrependido
Braços abertos para o infinito...
Caído em terra, onde a vida se esquece,
Lábios cerrados, prendendo seu grito.
Lágrimas enchem seu rosto contrito.
No seu coração, a agonia cresce.
Em si, tomou tudo o que era maldito,
Mas é sempre de dor a sua prece.
Por séculos e séculos nascido,
Viveu para redimir o pecado
E por ele morreu, na dor calada.
A agonia é demais! Arrependido,
Vive a sua revolta, abandonado
Numa missão para sempre falhada!
Errado
Em que vivias, chamando por mim,
Quando fugi para o nada sem fim,
Deixando-te ficar abandonado.
Quando te deixei, triste e destroçado,
Gritando o meu nome, em ânsias sem fim,
Abri os olhos e entendi, enfim,
Que todo o meu projecto estava errado.
Quando te deixei por uma quimera
E, a teus olhos, me esqueci de quem era
Os meus passos levavam-me para o Nada.
Mas, hoje, que a tua dor me iluminou
E, do mal que fiz, vi o que ficou,
Sei: toda a minha vida foi errada!
Vencidos da Vida
No teu olhar encontro a minha dor.
Fomos vencidos, em nome do amor,
Por um desejo maior destruído.
Sereno e doce, meu anjo caído,
Memória antiga de um sonho maior,
Ardo na chama de um sonho sem cor,
Sonho do teu paraíso perdido.
Anjo caído, memória perdida,
Não somos mais que vencidos da vida,
Sonhos sem dono, corações partidos.
Eu, sonhos mortos... Tu, asas quebradas!
Sejamos, entre ilusões derrotadas,
A última memória dos caídos!
Cobardia
Com voz serena de total certeza,
Que, por mais forte que fosse a tristeza,
Pôr fim à vida era uma cobardia.
Disseste que, por mais que a noite fria
Me envolvesse num manto de incerteza,
Seria um acto de imensa fraqueza
Não enfrentar a dor que me angustia.
A olhar para mim, com um sorriso triste,
Disseste que a felicidade existe,
Escondida no mais profundo de mim.
Mas, sozinha na vida que me deste,
Vejo que estava errado o que disseste!
Cobardia foi não chegar ao fim!
Profecia
Te pesará demais para suportares,
E pedirás àqueles que encontrares
Perdão para a escuridão do teu passado.
Um dia há-de vir em que, abandonado,
Enlouquecido pelos teus pesares,
Pedirás ao deus em que acreditares
Que volte a redimir o teu pecado.
Um dia há-de vir em que a tua loucura
Se converterá na maior tortura
E implorarás um segundo de bem.
Mas ouve! Eu sou a voz dos torturados
E, por quantos deixaste abandonados,
Te garanto: não haverá ninguém!
In Memoriam...
Observando o auge do teu esplendor.
Por ti, toda a vida hoje sente amor,
E celebra, alegre, a tua memória.
Hoje, o mundo reconhece a tua história,
Aclama-te e adora-te em furor.
Mas quantos deles viram quanta dor
Te custou a tua breve vitória?
Hoje, os homens celebram a alegria,
A memória da tua fantasia,
Mas saberão que demónios te assaltam?
Senhora eterna entre os anjos caídos,
Hoje se erguem teus sonhos destruídos.
Mas onde estão aqueles que te faltam?
Saturday, January 29, 2005
Anjo Salvador
Quando o tempo cantava os temores secretos das nossas vidas
Éramos verdades puras e perdidas,
Num momento perfeito de amor, harmonia e união.
Éramos a verdade mais pura de todas as palavras imortais,
Confundidos nos segredos desiguais
Nos momentos em que o puro sonho guiava o coração
Até ao lugar mais perto da perfeição.
Onde vai o teu amor?
Onde chega o teu clamor?
Sê um sonho, uma ilusão
Perdida na escuridão.
Quando os passos que demos guiaram os nossos momentos secretos
Á visão dos nossos sonhos predilectos,
Fomos seres perfeitos com sonhos de um mundo de luz.
Fomos sonhos criados da essência da vida mais perfeita e irreal,
Concebidos para um futuro imortal,
Nos momentos em que a vida é a voz pura que conduz
Ao caminho da felicidade que seduz.
Onde vai o teu amor?
Onde chega o teu clamor?
Sê um sonho, uma ilusão
Perdida na escuridão.
Onde vai o teu sonhar?
Brilho oculto no luar...
Quem és tu, no teu amor?
Tu, meu anjo salvador!
Wednesday, January 26, 2005
Infinito
Calmo, sereno, olhando em meu olhar.
Olhos de luto, mãos de trabalhar,
Imagem pura de pura desgraça.
Arde seu olhar, poderoso e irado...
Avança contra mim, de mãos abertas.
Digo: “Quem és, que meus medos despertas?”
Nada responde... Olha-me, calado.
Fixa os olhos ardentes no meu medo.
Abre-me a visão a todo o futuro.
Mostra-me o seu derradeiro segredo.
E, então, entendo que ele me falava!
Toda a palavra daquele olhar escuro
Dizia: “Espera! Todo o tempo acaba!”
Poção de Lua
Seja a recordação do que vivemos a prova de quanto somos.
A Lince.
Que a noite te acompanhe, doce vida,
Que ela sou eu, e só ela é comigo!
Que ela te guarde sempre, meu amigo,
Porque é a minha verdade perdida!
Que a noite te acompanhe, voz querida,
Que ela vai até onde eu não consigo!
Esteja a minha vida sempre contigo!
Seja gravada a tua luz esquecida!
Seja tua guardiã a minha luz,
O luar alto que brilha e que seduz...
Seja a tua verdade no meu mal!
Que a noite te acompanhe, porque agora
Deixo a minha miséria e vou embora!
Que te guarde a vida do meu final!
Filhos da Aurora
Anjo meu, que me indicas o caminho.
Palavra eterna, voz... O teu carinho.
Esperança de quem não crê no futuro.
Anjo esquecido comigo, no escuro,
Palavra doce da tua vontade.
Caminho eterno... Sonhar de verdade...
Asas abertas, protector obscuro.
Palavra eterna, doce eternidade,
Esperança do que foi esta vida.
Imagem viva, vontade perdida...
Última imagem... Pura realidade.
Esperança iluminada, meu segredo,
Asas abertas, vontade encontrada.
Sonhos ressuscitados do meu Nada.
Reerguer da coragem pelo medo.
Anjo da vida, belo, indefinido.
Palavra do segredo que escondemos.
Imagem viva de quanto tivemos.
Alma contada, meu sono querido.
Asas abertas, alma do meu nome,
Eco de vida, meu sonhar perdido.
Recebe esta vida, este meu sentido
Esquecido do mal que me consome!
Sétimo Selo
Quantas vidas despedidas, sem vontade de lutar!
Quantas mortes se sucedem pelo medo do fracasso!
Quantos que clemência pedem, mas sentem da morte o laço!
Primeiro virá o medo, depois, a condenação.
Cada passo é um segredo de pureza e ilusão.
Tanto tempo que se espera e nada surge de nós.
O silêncio desespera, mas não se ouve qualquer voz.
Fecha-se a porta da vida, por sete vezes selada.
Cai uma noite perdida, e apenas resta o Nada.
Sete tempos, sete nomes, sete pecados mortais!
Sai, anjo que te consomes, e não voltes nunca mais!
Para além daquela porta, mora a morte prometida.
Reina o medo, uma alma morta, o cair lento da vida.
Morrem deuses, anjos, seres de toda a humanidade.
Fica um grito sem quereres: maldição, mortalidade!
Sai pelo fundo da porta aquele líquido infernal...
Jorra o sangue vão que exorta aquele crime intemporal.
Tantas mortes se passaram num recinto não sagrado!
Caíram... já se acabaram os gritos desse passado!
Oh, condenados da vida! Que fizestes? Respondei!
Responde uma voz perdida: " Que queres que diga? Não sei!"
Foram todos condenados, sem o motivo saber.
Foram vistos como errados, porque souberam viver!
Oh, sonhos vãos destroçados! Quem foi que vos fez morrer?
Sentença de Vida
Alma ferida, corpo enfraquecido.
Na vida foi uma luz sem sentido.
Na sua luz perdeu sentido a Vida.
Nada deseja. Por todos vencida,
Foi desprezada no mundo esquecido.
Ma sua vontade, sonho perdido,
Nasceu a sua sentença de vida.
Sente perder-se a sua negra sorte.
Chama insistentemente pela morte.
Deseja até as trevas do Inferno!
Mas é a Vida a sua executora,
E viveu, desde sempre até agora.
Será viver o seu martírio eterno!
Magias
Onde todos os males são criados.
Os teus segredos foram revelados.
Foi encontrado o teu segredo eterno.
Guardo a verdade que o teu mundo encerra,
Pois só eu sei qual é o teu lugar.
Sei onde ficas, onde sabes estar:
Só eu sei que tu és, na verdade, a Terra!
Só eu sei que tu és, eternidade,
O florescer da alma da Humanidade,
Porque com eles andas, o mais forte.
Boa noite! Oh, adeus! Porque hoje sou
A primeira que o Inferno abandonou,
Porque se Inferno é vida, eu sou a Morte!
Não te Digo Adeus
Sinto que vais deixar os sonhos meus.
Sei que vais partir desta realidade,
Mas, ainda assim, não te digo adeus.
Foste o meu tempo, a minha eternidade,
Mas deixas-me sem ver os olhos teus.
Deixas-me ser um tempo sem vontade,
Mas nada fazes, terra de outros céus.
Partes para outro lado. Partes só.
Deixas que fiquem desfeitos em pó
Os sonhos da minha verdade antiga!
Deixa-me então! Oh, leva-me contigo!
Não conheço este mundo! Não consigo
Vencer sem ti, minha verdade amiga!
Miséria de Ser Eu
Perdeu-se a fé naquilo que sentia.
Caiu a imagem bela que antes via
De um monstro que, no fundo, se ocultava.
Morreu em mim a vida que sonhava,
A paixão que dentro de mim ardia.
Perdeu-se o amor, a minha fantasia.
Caiu o que a verdade sustentava.
Acabou-se a vontade dos meus dias.
Apagaram-se as horas fugidias
Em que existia alguém dentro de mim.
Resta de mim miséria de existir!
Miséria de ser eu e de sentir
Que nada mais me aguarda, além do fim!
Mestre...
Porque sei que não sou melhor que vós!
Tanto tempo escutastes minha voz,
Mas nada descobristes que fosse útil!
Rasgai as palavras de um sonho em Nada
Que foi o meu, na terra dos mortais!
Errada fui eu, por vezes demais.
Já não sei se estou certa ou estou errada.
Tudo o que disse foi contradição.
Tomei por minha a dor da ilusão.
Acreditei numa vontade pura.
Rasgai minhas palavras! Que, em verdade,
Nunca fui nem vivi a realidade!
Agora e sempre, sou só noite escura...
Nas Portas dos Futuro
Se encerra a vida, tal como a procuras!
Para além de outras ilusões futuras,
Está, caído no chão, o Mal, prostrado!
Caminhante, num ermo abandonado,
Jazem gravadas palavras obscuras!
Para além dessas portas, cegas, escuras,
Está o teu caminho projectado!
Avança para o teu sonhar antigo!
Vence o medo que viajou contigo
E abre as portas, sem medo de entrar!
Caminhante, nas portas do futuro
Jaz o sonho de um cair prematuro
Que apenas o teu ser pode evitar!
Tuesday, December 07, 2004
Oceano
Onde estou eu? Perdida entre os perdidos...
Onde morreram todos os sentidos
Da minha vida? Nas noites erradas...
Uivos de dor nas matas derrotadas
Dos sonhos dos meus sonhos esquecidos.
Onde parei? Caída entre os caídos...
Vencida por palavras inventadas...
O mundo está calado à minha volta.
Do mais fundo de mim nasce a revolta.
Sinto no corpo o peso da derrota.
Perdida num oceano de fracassos,
Deixo-me partir e, hoje, baixo os braços,
Como um barco sem ter leme nem rota!