Monday, March 24, 2008

Desculpa

Desculpa se não vivo à tua imagem,
Se não sigo o teu rumo de vaidade,
Se nem sempre cedo à tua vontade
E cumpro o que ordena a tua voragem.

Desculpa se o meu mundo é de miragem
E se acredito na fidelidade.
Desculpa se me guio pela verdade,
Ainda que despida de coragem.

Desculpa se não creio na loucura
Do teu mundo de dominância obscura
E de momentos inúteis e vãos.

Não sou igual a ti, alma indiferente.
Não quero o teu controlo permanente…
Desculpa se não estou nas tuas mãos!

Monday, March 10, 2008

Herança de Saudade

Legado de silêncio e liberdade,
Memória de um futuro que passou,
Somos, talvez, herança de saudade,
Recordação de um sonho que acabou.

Fantasmas de uma vida que quebrou
Ante a profanação da lealdade,
Somos uma ilusão que terminou,
Inocência vendida à iniquidade.

Vozes de um tempo ao nada condenado,
Somos apenas sombras de um passado
Que se perdeu na noite sem lugar.

Ilusões mortas, sonhos destruídos…
A vida deu-nos a voz dos caídos.
A morte não deixou de nos amar.

Wednesday, February 27, 2008

Ânsia de Redenção

Confesso que me perdi
Por entre as estradas da ingenuidade
E os caminhos da inocência,
E que vivi numa ilusão sem nome,
Feita de fé inútil
E moldada em esperança vã.

Acreditei cegamente
Nas imagens que o mundo me mostrava,
E construí castelos de confiança
Onde não devia haver senão deserto.
Sacrifiquei o melhor da minha alma
À vaga ilusão de uma amizade
Que nem sequer existe
E, por isso,
Hoje estou sozinha
No abismo da minha desilusão.

Onde eu criei um palácio de sonhos,
Hoje há apenas um destroço,
Ruína dos meus ideais mortos,
Criados pela cegueira
E estilhaçados pela mágoa.
A ingenuidade fez-se ressentimento,
Cego a todos os sinais
E surdo a todas as súplicas de piedade,
E a ilusão da felicidade
Desfez-se em fragmentos de traição,
Lágrimas de sangue
E lamentos de agonia gritados ao céu vazio.

E, hoje, eu sei o que sou,
Fantasma derrubado,
Subjugado
Sob o peso do meu pecado de orgulho,
Espectro de arrependimento
Que pena por entre noites imortais,
Em busca de um abrigo que me salve
Da minha própria credulidade,
Pois, ao acreditar,
Pequei contra mim própria.

E a minha alma,
Perdida e destroçada,
Não esquece nem perdoa
Os crimes de toda uma vida,
Os erros que rasgaram o meu corpo
E assassinaram o meu coração.
Não há perdão para a minha cegueira
Nem vida para a minha ânsia de redenção,
Por isso,
Por mais que espere e suplique,
Não encontrarei salvação nem paz,
Pois viva de ilusão
E profanada pela fé,
Apenas me abrigará a eterna escuridão.

Tuesday, February 12, 2008

Lágrimas da Alma

Palavras breves, feitas só de nada,
Arrancadas deste meu coração,
Serão meu juramento à escuridão,
Lágrimas da minha alma destroçada.

A minha essência não será quebrada
Nem mesmo pelo fogo da traição.
Não voltarei a dar minha alma em vão.
Nunca mais me verão sofrer calada.

Palavras de lamento e de amargura
Contarão à sombra da noite escura
Os sinistros desígnios do meu ser.

No vento voarão meus negros versos,
Memórias dos pensamentos dispersos
De alma fraca que aprendeu a viver…

Se Eu Fosse...

Se eu fosse luz de um sonho esplendoroso
E fossem meus os dias desta vida,
Dava-te a minha alma reconstruída
E amava o teu sonhar silencioso.

Se eu fosse o azul eterno e majestoso
Do céu que cobre a terra indefinida,
Dava-te uma promessa renascida
De amor sublime, puro e poderoso.

Se eu fosse o sonho da tua miragem,
Criava um novo mundo à tua imagem
E os teus sonhos erguia ao alto céu.

Mas sou só eu, esta sombra quebrada
Que se arrasta entre as sombras e o nada,
E nada tenho para dar, senão eu…

Friday, January 04, 2008

Na Sombra da Estrela

Andou, nas portas da vida vencida,
Como um fantasma de vazio e horror.
Não conheceu da vida senão dor.
Nunca sentiu senão a alma perdida.

Destroçado pela negra mão da vida,
Nunca alimentou ódio nem temor.
Despido de dignidade e de amor,
Permaneceu são na noite vencida.

Preso na dor de um futuro quebrado,
Viveu por entre a mágoa e o pecado,
Torturado por tudo o que mais dói.

Mas, mesmo depois de preso à tristeza,
Nunca se perdeu a sua nobreza.
Viveu mártir… Morreu como um herói!

___In memoriam S. Arasen______

Saturday, November 24, 2007

Convite

Caríssimos amigos e frequentadores do meu blogue...
É com muita honra que vos convido para o lançamento do meu novo livro, "Herdeiros de Arasen". O evento decorrerá no próximo dia 15 de Dezembro, pelas 17 horas, no Auditório Municipal de Resende, e contará essencialmente com uma parte musical (executada basicamente por mim) e com uma parte teatral.
Apareçam. Serão muito bem-vindos.
Stay safe...
Carla Ribeiro (The Silent Raven)

Thursday, November 22, 2007

Foges

Finges que não conheces minha vida.
Com insistência ignoras meu chamado.
Foges de mim, como se ressentida
De um qualquer inexistente pecado.

Foges, como da sombra do passado,
Como se a escuridão negra e vencida
Tivesse entrado em mim e dominado
A essência da minha alma destruída.

Tentas agir como se a tua vontade
Fosse outra, mas a tua liberdade
Não te permitisse qualquer opção.

Eu não sou cega! Faz o que quiseres,
Mas tem a decência, quando o fizeres,
De admitir que é vã a tua razão!

Anjos Cansados

Perdidos neste céu de noite escura,
Quebrados pela sombra da solidão,
Somos os anjos da eterna amargura,
Cansados de viver na escuridão.

Somos o espectro da condenação,
A memória de uma palavra obscura
Que, presa nos abismos da razão,
Profetiza uma infinita loucura.

Perdidos neste mundo de memórias,
Somos o berço das velhas histórias
Que encheram o mundo com seu calor.

Mas ninguém vê que a nossa fantasia
Jaz perdida entre sombras de agonia.
Ninguém sente sequer a nossa dor…

Wednesday, November 14, 2007

Falsos

Com toda a minha fé e toda a minha força, dei, por inteiro, a minha alma àqueles que julgava com os amigos ideais, supremo exemplo de vida e de verdade. Inocentemente, coloquei-me nas suas mãos, alimentando a certeza de que, viesse o que viesse, não seria abandonada.
As minhas certezas, contudo, eram apenas um absurdamente frágil castelo de areia levado nas ondas do mar. Aqueles que julgava como as entidades mais próximas de mim não passavam de falsos profetas de um destino morto e, por isso mesmo, a amizade, que em tempos julguei como uma deusa sagrada e inviolável, jaz por terra, vencida, profanada, rasgada de corpo e alma.
E é este o meu mundo… Assim se processam os dias vencidos da minha vida inútil, perdidos entre a sombra do silêncio e o abismo da amargura. A fé morreu, quebrada pela traição. A esperança morreu, vencida pela desilusão. O sonho desapareceu na noite dos falsos encantos de uma existência em verdade vã e inútil.
Agora… Agora, resta-me morrer também.

Tuesday, November 06, 2007

Perto... Longe...

Cada passo dado, a cada momento,
Marca a definição do meu lugar,
Mais perto do meu céu de sentimento,
Mais longe da ilusão do teu olhar.

Longe do que perdi para me encontrar,
Perto das águas do meu pensamento,
Cada momento ensina a recordar
Os silêncios que fugiram no vento.

Cada instante de sonho e de ventura,
Entre sombras de mágoa e de amargura,
Marca o destino de quanto foi meu.

Mais perto do silêncio que magoa,
Perto da escuridão que não perdoa…
Mais longe da vida que, em mim, morreu.

Quando

Quando eles te disserem que eu morri,
Não chores. Também não choraste em vida,
Quando, por tua crueldade destruída,
De toda a minha esperança desisti.

Quando te disserem como eu caí,
Não lamentes minha alma enlouquecida.
Pensa antes que, se me rendi, vendida,
Talvez o tenha feito só por ti.

Quando souberes que abandonei o mundo,
Não me lamentes em pranto profundo.
Não quero a tua mísera piedade.

Quero que saibas, sempre, eternamente,
Que foi por ti, entidade indiferente,
Que me entreguei nas mãos da eternidade!

De Todos

De todos aqueles a quem te deste,
Apenas um não te deixou cair.
Apenas um sentiu o que fizeste
Como algo mais que um inútil sentir.

Só um de entre todos te fez sorrir,
Enquanto choravas o que perdeste.
Só um deles não decidiu partir,
Quando fechaste os olhos e morreste.

De todos aqueles em quem confiaste,
Apenas um sentiu o que passaste
E dividiu contigo o teu sofrer.

Vive por ele. Basta a sua imagem
Para que valha a pena a tua coragem.
Basta a sua voz para que devas viver.

Saturday, October 27, 2007

Tens-me

Tens-me nas mãos, indefesa e vencida,
Perdida no teu deserto de dor.
Teu mundo não conhece luz nem cor.
Também não as verá a minha vida.

Tens-me completamente, a ti rendida,
Mas não sentes senão ódio e rancor…
Pois que seja! Não temo o teu horror.
Não pode quebrar a alma destruída.

Tens-me nas mãos, perdida, abandonada
Na loucura de um deserto de nada,
Tua para tudo aquilo que quiseres.

Mas não está já nas tuas mãos quebrar-me.
Morta, nenhuma dor pode tocar-me,
Por isso, avança. Faz como entenderes…

Meu Triste Olhar

No espelho onde me vejo, destroçada,
Paira um olhar solene e pesaroso,
Que, no seu sofrimento tenebroso,
Me fala de desprezo, morte e nada.

Meu triste olhar, espelho de alma quebrada,
Como eu triste, como eu silencioso,
Reflecte o nada ausente e misterioso
Da minha solidão abandonada.

Minha imagem distante, indefinida,
Como eu ausente e vazia de vida,
Para sempre morta nos confins do nada…

Aqui me vês, a imagem que se esconde
No teu reflexo que olha e não responde…
Virás, algum dia, a ser libertada?

Thursday, October 18, 2007

Desterro

Aqui, onde o silêncio negro, obscuro,
É o único que escuta a minha dor,
Lamento o meu exílio sem futuro,
A minha infinita ausência do amor.

Aqui, onde o abismo não tem cor
E a morte é tudo aquilo que procuro,
Tenho o nada como único senhor
E como desejo o abismo mais escuro.

Aqui, banida de toda a verdade,
Rejeitada pela própria liberdade,
Não conheço de mim senão o nada.

Ah! Não haver uma breve memória
Que devolvesse a paz à minha história
E resgatasse a minha alma fechada…

Fonte de Inspiração

Foste, em tempos, memória do meu ser,
Espelho de tudo quanto procurei,
Fonte de inspiração, mesmo sem querer,
Do secreto universo que sonhei.

Foste o exemplo que eu sempre admirei,
O heróico ideal, o exemplo de viver.
Foste o refúgio que nunca encontrei,
Minha salvação, mesmo sem saber.

Em ti, vi sentimento e liberdade,
Audácia, sonho e força de vontade.
Com a tua força, à vida me ligaste.

Mas, agora, também tu estás ausente.
Também tu foges, cruel e indiferente.
No final, também tu me abandonaste…

Saturday, October 06, 2007

Hora Macabra

Maldito instante de ódio e de loucura
Marca as trevas do meu eterno horror,
Perdida num infinito de dor
Onde a própria existência me tortura.

Hora macabra, a desta noite escura
Onde tudo é escuridão e temor...
Jaz morta a memória do terno amor,
Aos pés do negro espectro da amargura.

Momento negro de agonia e morte,
Onde não há silêncio que conforte
As convulsões de um anjo moribundo...

Mais negro instante, aurora de tristeza...
Homem, esta é a tua natureza!
Ser o carrasco do teu próprio mundo...

Não Quero a Vida Assim

Não quero a vida assim, sinistra e fria
Como as memórias do meu negro ser.
Fere demais continuar a viver
Nas sombras desta existência vazia.

Não quero a vida assim, sem fantasia,
Distante de quanto amei sem saber.
Não me quero encontrar, para me perder
Nos soturnos desertos da agonia.

Não quero sonhar com breves encantos
Para os ver desabar nos negros prantos
Que são tudo quanto resta no fim.

Se é para continuar neste deserto
De ver longe tudo quanto quis perto,
Então não quero a vida que há em mim!

Nostalgia

A memória vem, tímida e ausente,
Como um breve sussurro inacabado,
Recordando os momentos de um passado
Que julgava viver eternamente.

Disseste que ias estar sempre presente,
Mas, no final, não estavas do meu lado
Quando o meu sonho se tornou pecado
E a luz quebrou face ao mundo indiferente.

Hoje, sozinha na bruma da história,
Não tenho senão a breve memória
Do passado e a eterna nostalgia.

Obrigada pelo encanto que me deste.
Se fugiste de mim, se me temeste,
Sempre deixaste a voz da fantasia…