Tuesday, September 02, 2008

Nas Águas do Verso



100 poemas de 100 autores... e uma delas sou eu!

Nas Águas do Verso é uma colectânea poética idealizada e coordenada por João Filipe Ferreira e Pedro Lopes. Nesta obra é possível encontrar textos poéticos de 100 autores tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo. Uma obra onde cada poeta expressa livremente as suas palavras, as suas emoções, visões e estados de espírito. Em Nas Águas do Verso o leitor poderá navegar calmamente na beleza da poesia e da prosa poética, sem nunca perder o rumo, sem nunca se afogar nas palavras. Com muito prazer, os autores oferecem-lhe esta obra que consideram ser tremendamente rica em poesia. Sejam bem-vindos ao barco poético e, uma vez nele, desfrutem da beleza das Águas do Verso.



Monday, July 21, 2008

Não Acabou

Não se apagou a sombra da loucura
Aprisionada no meu corpo aberto,
Como um eco de morte e de amargura
Perdido por entre as brumas do incerto.

Não se apagou a estrela do deserto
Que habitava os ecos da noite escura,
Levando para longe o que viveu perto,
Em cinzas desvanecendo a ternura.

Não se perdeu a memória dos dias
Que embalava entre débeis fantasias
O delirante eco da escuridão.

Paira ainda, nos silêncios do nada,
Um murmúrio de distante fachada.
Diz que não acabou… Ainda não.

Wednesday, July 02, 2008

Oh My Goth! - Poemario Oscuro Vol. 1


Caríssimos amigos...

Permitam que lhes apresente esta nova incursão pelos reinos da obscuridade. Trata-se de uma antologia de poesia gótica e obscura em língua espanhola, produzida pela Bizzarre Asylum, Bolívia, no formato de livro electrónico.
Tenho a honra de ter sido incluída neste projecto com quatro pequenos poemas. Espero que gostem. Podem encontrar o livro no seguinte link:

http://rapidshare.com/files/126445101/Oh_My_Go_h_-_Poemario_Oscuro_Vol._I-Bizzarre_Asylum.rar.html



Leiam e divulguem. Bem-vindos às sombras...

Thursday, June 19, 2008

Hossana nas Alturas

Cantam coros de místico esplendor
E impenetrável sonhar de paixão,
A elevação de um místico fulgor
Aos céus da interminável solidão.

Cantam o esplendor do céu sem razão,
Vazio como o seu etéreo louvor,
E as horas nascidas na escuridão
Parecem somente ilusões de dor.

Enchem-se os céus com ecos de saudade,
Aclamações da eterna liberdade,
Oráculos de um deus inacessível.

Mas, na sombra da dor que se escondeu,
Há um corpo que, cego, grita ao céu
Como sobreviver é impossível…

Saturday, May 31, 2008

O Deus Maldito


Caríssimos frequentadores do meu blog...

Estou aqui para vos apresentar o meu novo livro "O Deus Maldito". Como podem ver, a capa corresponde à imagem acima e trata-se de uma aventura de fantasia. A minha história envolve magia, mitologia, um mundo completamente diferente, onde o sonho, a coragem e a nobreza falam sempre mais alto, e onde há causas pelas quais a vida não é um preço demasiado elevado.

Para aqueles que quiserem saber mais, ou estiverem interessados em adquirir exemplares (devidamente autografados, claro) contactem-me para o email carianmoonlight@gmail.com.

Até breve...
Carla

Saturday, May 10, 2008

Convite

Caros amigos...
Tenho o prazer de vos convidar para o lançamento do meu novo livro "O Deus Maldito", a decorrer no dia 27 de Maio pelas 21:30h na Biblioteca Municipal Dr. Júlio Teixeira em Vila Real. A apresentação será feita por Susana Catalão e o evento contará também com uma pequena dramatização de excertos do livro e leitura de alguns outros textos relevantes.

Abraço enorme...

Carla Ribeiro

Wednesday, April 23, 2008

Canção Deserta

Breve lamento de silêncio e nada,
Perdido entre o destino e o passado,
Sou melodia de ilusão quebrada,
Canção deserta de um sonho apagado.

Memória de um futuro abandonado,
Sou sombra de um olhar feito morada
De sombras, sentimento condenado,
Remissão para sempre rejeitada.

Leve elegia de uma eterna dor,
Sou canto de um desalento sem cor,
Gélido abraço de um vazio mais forte.

Sou sombra de silêncio e noite escura,
Condenada ao exílio da amargura.
Seria muito mais suave a morte…

Monday, March 24, 2008

Desculpa

Desculpa se não vivo à tua imagem,
Se não sigo o teu rumo de vaidade,
Se nem sempre cedo à tua vontade
E cumpro o que ordena a tua voragem.

Desculpa se o meu mundo é de miragem
E se acredito na fidelidade.
Desculpa se me guio pela verdade,
Ainda que despida de coragem.

Desculpa se não creio na loucura
Do teu mundo de dominância obscura
E de momentos inúteis e vãos.

Não sou igual a ti, alma indiferente.
Não quero o teu controlo permanente…
Desculpa se não estou nas tuas mãos!

Monday, March 10, 2008

Herança de Saudade

Legado de silêncio e liberdade,
Memória de um futuro que passou,
Somos, talvez, herança de saudade,
Recordação de um sonho que acabou.

Fantasmas de uma vida que quebrou
Ante a profanação da lealdade,
Somos uma ilusão que terminou,
Inocência vendida à iniquidade.

Vozes de um tempo ao nada condenado,
Somos apenas sombras de um passado
Que se perdeu na noite sem lugar.

Ilusões mortas, sonhos destruídos…
A vida deu-nos a voz dos caídos.
A morte não deixou de nos amar.

Wednesday, February 27, 2008

Ânsia de Redenção

Confesso que me perdi
Por entre as estradas da ingenuidade
E os caminhos da inocência,
E que vivi numa ilusão sem nome,
Feita de fé inútil
E moldada em esperança vã.

Acreditei cegamente
Nas imagens que o mundo me mostrava,
E construí castelos de confiança
Onde não devia haver senão deserto.
Sacrifiquei o melhor da minha alma
À vaga ilusão de uma amizade
Que nem sequer existe
E, por isso,
Hoje estou sozinha
No abismo da minha desilusão.

Onde eu criei um palácio de sonhos,
Hoje há apenas um destroço,
Ruína dos meus ideais mortos,
Criados pela cegueira
E estilhaçados pela mágoa.
A ingenuidade fez-se ressentimento,
Cego a todos os sinais
E surdo a todas as súplicas de piedade,
E a ilusão da felicidade
Desfez-se em fragmentos de traição,
Lágrimas de sangue
E lamentos de agonia gritados ao céu vazio.

E, hoje, eu sei o que sou,
Fantasma derrubado,
Subjugado
Sob o peso do meu pecado de orgulho,
Espectro de arrependimento
Que pena por entre noites imortais,
Em busca de um abrigo que me salve
Da minha própria credulidade,
Pois, ao acreditar,
Pequei contra mim própria.

E a minha alma,
Perdida e destroçada,
Não esquece nem perdoa
Os crimes de toda uma vida,
Os erros que rasgaram o meu corpo
E assassinaram o meu coração.
Não há perdão para a minha cegueira
Nem vida para a minha ânsia de redenção,
Por isso,
Por mais que espere e suplique,
Não encontrarei salvação nem paz,
Pois viva de ilusão
E profanada pela fé,
Apenas me abrigará a eterna escuridão.

Tuesday, February 12, 2008

Lágrimas da Alma

Palavras breves, feitas só de nada,
Arrancadas deste meu coração,
Serão meu juramento à escuridão,
Lágrimas da minha alma destroçada.

A minha essência não será quebrada
Nem mesmo pelo fogo da traição.
Não voltarei a dar minha alma em vão.
Nunca mais me verão sofrer calada.

Palavras de lamento e de amargura
Contarão à sombra da noite escura
Os sinistros desígnios do meu ser.

No vento voarão meus negros versos,
Memórias dos pensamentos dispersos
De alma fraca que aprendeu a viver…

Se Eu Fosse...

Se eu fosse luz de um sonho esplendoroso
E fossem meus os dias desta vida,
Dava-te a minha alma reconstruída
E amava o teu sonhar silencioso.

Se eu fosse o azul eterno e majestoso
Do céu que cobre a terra indefinida,
Dava-te uma promessa renascida
De amor sublime, puro e poderoso.

Se eu fosse o sonho da tua miragem,
Criava um novo mundo à tua imagem
E os teus sonhos erguia ao alto céu.

Mas sou só eu, esta sombra quebrada
Que se arrasta entre as sombras e o nada,
E nada tenho para dar, senão eu…

Friday, January 04, 2008

Na Sombra da Estrela

Andou, nas portas da vida vencida,
Como um fantasma de vazio e horror.
Não conheceu da vida senão dor.
Nunca sentiu senão a alma perdida.

Destroçado pela negra mão da vida,
Nunca alimentou ódio nem temor.
Despido de dignidade e de amor,
Permaneceu são na noite vencida.

Preso na dor de um futuro quebrado,
Viveu por entre a mágoa e o pecado,
Torturado por tudo o que mais dói.

Mas, mesmo depois de preso à tristeza,
Nunca se perdeu a sua nobreza.
Viveu mártir… Morreu como um herói!

___In memoriam S. Arasen______

Saturday, November 24, 2007

Convite

Caríssimos amigos e frequentadores do meu blogue...
É com muita honra que vos convido para o lançamento do meu novo livro, "Herdeiros de Arasen". O evento decorrerá no próximo dia 15 de Dezembro, pelas 17 horas, no Auditório Municipal de Resende, e contará essencialmente com uma parte musical (executada basicamente por mim) e com uma parte teatral.
Apareçam. Serão muito bem-vindos.
Stay safe...
Carla Ribeiro (The Silent Raven)

Thursday, November 22, 2007

Foges

Finges que não conheces minha vida.
Com insistência ignoras meu chamado.
Foges de mim, como se ressentida
De um qualquer inexistente pecado.

Foges, como da sombra do passado,
Como se a escuridão negra e vencida
Tivesse entrado em mim e dominado
A essência da minha alma destruída.

Tentas agir como se a tua vontade
Fosse outra, mas a tua liberdade
Não te permitisse qualquer opção.

Eu não sou cega! Faz o que quiseres,
Mas tem a decência, quando o fizeres,
De admitir que é vã a tua razão!

Anjos Cansados

Perdidos neste céu de noite escura,
Quebrados pela sombra da solidão,
Somos os anjos da eterna amargura,
Cansados de viver na escuridão.

Somos o espectro da condenação,
A memória de uma palavra obscura
Que, presa nos abismos da razão,
Profetiza uma infinita loucura.

Perdidos neste mundo de memórias,
Somos o berço das velhas histórias
Que encheram o mundo com seu calor.

Mas ninguém vê que a nossa fantasia
Jaz perdida entre sombras de agonia.
Ninguém sente sequer a nossa dor…

Wednesday, November 14, 2007

Falsos

Com toda a minha fé e toda a minha força, dei, por inteiro, a minha alma àqueles que julgava com os amigos ideais, supremo exemplo de vida e de verdade. Inocentemente, coloquei-me nas suas mãos, alimentando a certeza de que, viesse o que viesse, não seria abandonada.
As minhas certezas, contudo, eram apenas um absurdamente frágil castelo de areia levado nas ondas do mar. Aqueles que julgava como as entidades mais próximas de mim não passavam de falsos profetas de um destino morto e, por isso mesmo, a amizade, que em tempos julguei como uma deusa sagrada e inviolável, jaz por terra, vencida, profanada, rasgada de corpo e alma.
E é este o meu mundo… Assim se processam os dias vencidos da minha vida inútil, perdidos entre a sombra do silêncio e o abismo da amargura. A fé morreu, quebrada pela traição. A esperança morreu, vencida pela desilusão. O sonho desapareceu na noite dos falsos encantos de uma existência em verdade vã e inútil.
Agora… Agora, resta-me morrer também.

Tuesday, November 06, 2007

Perto... Longe...

Cada passo dado, a cada momento,
Marca a definição do meu lugar,
Mais perto do meu céu de sentimento,
Mais longe da ilusão do teu olhar.

Longe do que perdi para me encontrar,
Perto das águas do meu pensamento,
Cada momento ensina a recordar
Os silêncios que fugiram no vento.

Cada instante de sonho e de ventura,
Entre sombras de mágoa e de amargura,
Marca o destino de quanto foi meu.

Mais perto do silêncio que magoa,
Perto da escuridão que não perdoa…
Mais longe da vida que, em mim, morreu.

Quando

Quando eles te disserem que eu morri,
Não chores. Também não choraste em vida,
Quando, por tua crueldade destruída,
De toda a minha esperança desisti.

Quando te disserem como eu caí,
Não lamentes minha alma enlouquecida.
Pensa antes que, se me rendi, vendida,
Talvez o tenha feito só por ti.

Quando souberes que abandonei o mundo,
Não me lamentes em pranto profundo.
Não quero a tua mísera piedade.

Quero que saibas, sempre, eternamente,
Que foi por ti, entidade indiferente,
Que me entreguei nas mãos da eternidade!

De Todos

De todos aqueles a quem te deste,
Apenas um não te deixou cair.
Apenas um sentiu o que fizeste
Como algo mais que um inútil sentir.

Só um de entre todos te fez sorrir,
Enquanto choravas o que perdeste.
Só um deles não decidiu partir,
Quando fechaste os olhos e morreste.

De todos aqueles em quem confiaste,
Apenas um sentiu o que passaste
E dividiu contigo o teu sofrer.

Vive por ele. Basta a sua imagem
Para que valha a pena a tua coragem.
Basta a sua voz para que devas viver.