Cada palavra a sangue e dor marcada num grito de revolta silenciosa... Esta sou eu... A sombra, a noite... O nada.
Sunday, August 16, 2009
Fénix Moribunda
Insígnia ensanguentada
Em ombros transportada até ao sudário dos séculos,
A catedral do derradeiro sacrifício.
Desfalecida em torpores de uma indução eternizada,
Anestesia percorrendo os sentidos
Onde uma voz se multiplica em seis imagens por segundo
E seis vidas por século,
Para que, nos seis sentidos dos coléricos oceanos,
Floresçam os seis corpos dos fantasmas imolados.
Rumorejantes asas de espectral incêndio,
Caídas por terra,
Diante do feérico fitar de um etéreo deus corvo,
Uma mão dourada estendida sobre a negrura
Que engole as estrelas derramadas na voz
E planta no tronco decepado a cabeça de um deus.
Como um lamento afagando as ondas da areia,
Catedral de esferas
Abertas em sepulcro para o fogo desfalecido em cinzas,
Espalhado aos ventos das quatro estações
No último grito de uma bênção secreta.
Monday, August 10, 2009
Treze
A terra está em fogo
E a contemplação nos olhos dos desfalecidos
Parece traçar no sangue derramado
O pesaroso ritmo de treze flagelações.
De um em um, a voz do universo vai cantando
Como um grito na maré
E o corpo mutilado parece desabrochar na cruz,
Qual Fénix dilacerada
Que descesse do rosto que mira por entre as nuvens
A concretização de um crepúsculo deserto.
Prolongados até aos dedos no braço do infinito,
Os números choram cintilações de essência,
Espraiados em convulsivo agarrar de etéreas cordas
Prendendo às mãos do tempo
As pulsações dos sentidos moribundos.
E os corpos dormem sob o flagelo das eras,
Fustigados pelos ramos da vida que incendeia a floresta,
Conflagrar de promessas inundadas sobre o sangue
Que invade a lama com a poeira do crepúsculo.
Sunday, August 02, 2009
Queria Ser de Cinza
Passei todos estes anos enganado. Todos os momentos de sonho, de imaginação e de esperança não foram senão fantasmas destinados a coroar de sangue este momento, o adeus da voz que me dormia no corpo, mas que já não está apenas ausente, mas morta dentro de mim.
Naquele tempo, formavam-se multidões à minha volta, vindos, por vezes, de longe para ouvir as histórias que só eu sabia contar. E eu era a voz de todas as miragens, de um horizonte mais além que todos os mundos, a mais fantástica lenda do reino. Eu que, num reino distante, nascera lorde, sofrera o exílio pelas mãos de um tirano e acabara por me arrastar, sem mais nas mãos que as cinzas da minha imaginação, até às sombras da cidadela onde os mágicos me haviam acolhido.
Mesmo aí, quando eu julgava ter encontrado um novo refúgio, a redenção para os pecados que haviam operado sobre mim, eu não era senão o prenúncio da fatalidade, uma profecia destinada a morrer pelas armas do meu próprio espírito. É que eu sonhava com asas de anjos dispersas pelos céus, mas não sabia que eram mais que os meus vigias silenciosos. Eles tinham vindo para me buscar.
O pânico invadira a cidadela. Não era eu, afinal, o único a ver a figura dos meus carcereiros e, rapidamente, a culpa do estranho fenómeno caíra sobre o único estrangeiro do lugar, o mesmo que, durante tantas noites, eles haviam escutado com devoção, sem saber que não era mais que um condenado dos céus. Entregaram-me sem remorsos, assim que o mensageiro dos anjos se lhes dirigiu. Nem uma ameaça, nem um traço de persuasão se revelou necessário. Descartaram-se de mim com um simples “Levai-o. Não nos pertence.” e retomaram a sua rotina sem um último pensamento para mim, para o destino a que me condenavam.
E agora estou aqui, no limiar da condenação eterna, e vejo tudo o que sou e tudo o que me julgava. Condenado por orgulho, deixara a minha missão porque sonhara ser um contador de histórias e descurara os meus superiores por estar demasiado centrado na minha própria existência. E, por breves momentos, encontrara no mundo dos mortais a realização do meu sonho, a sublime cintilação dos olhos que me fitavam enquanto eu lhes narrava as múltiplas viagens que me brotavam da imaginação. Claro que eles não sabiam que o reino que me exilara era o dos céus, que a minha nobreza era a das potestades e que eu só via o meu rei como tirano porque me julgava capaz de criar mundos para além do mundo, mas que esse sonho me era constantemente negado.
Como poderia eu saber que o meu senhor não queria senão poupar a minha pobre esperança? Como, se era tão cego que não via que aquele estranho brilho não era pela magnificência das minhas criações, mas apenas porque as julgavam verdadeiras? Não, eu não via que criara uma mentira. Não via que era, afinal, apenas mais um miserável que se julgava merecedor de louvores em terra de ninguém…
Na verdade, não interessa. Fui devolvido ao vazio de onde nasci, ao nada que me constitui e de onde nunca deveria ter saído. A memória, contudo, permanece no éter das minhas partículas fragmentadas, a sombra daquele sonho que, por momentos, foi tudo o que guiou os meus passos. E, nesta hora eternamente repetida, só queria que essa sombra desaparecesse, desfeita em pó como a pedra onde repousam os meus ossos. Queria ser de cinza, como os restos que divagam no vento e que, um dia, foram a débil cabana que me atribuíram na cidadela dos mágicos. E queria fechar os olhos invisíveis que, como relâmpagos rasgando o vácuo, me mostram constantes imagens daquilo que sou… Ninguém perdido no nada, querendo apenas desaparecer.
Friday, July 31, 2009
Sinfonia para Orquestras Destroçadas
De arco traçado em cruz
Sobre o silêncio difuso dos gritos irracionais,
Do manto que rasga os céus na conflagração da orquestra
Onde o coro dos malditos
Entoa a demoníaca ópera da hecatombe.
Trompas de guerra invadem a garganta das árvores
Ao compasso do ribombar da tempestade,
Bailando entre fantasias de um relâmpago confuso
Tecendo labirintos na negrura do papiro
Onde o criador arquitecta os sussurros da discórdia.
Soluçar de marés lançadas contra a coluna do suplício
Onde repousam os esqueletos fustigados
Do corpo que se dispersa entre as ruínas do navio,
Compondo nas mãos que convulsionam sobre o leme,
Dedos de fumo dispersos na rubra aurora,
O feérico canto das muralhas destroçadas
Ao som da sinfonia crepuscular.
Tuesday, July 28, 2009
Quinteto de Neve
Ela chorava sobre as pedras da renúncia,
Como um silêncio em cor de alvura e de ilusão,
E tinha olhos de gelo, como pingentes na manhã
Que nascia da penumbra de um céu velado de cinza.
Tinha olhos de sinfonia na mais negra aurora dos séculos,
De vinte e dois de Dezembro sobre a janela da neve,
Quando o templo proclamava orações na sua pele
E eras de renascimento para o Natal dos exilados.
Ela dormia nos braços de um espantalho embranquecido
Como quem chora nas trevas de os corvos partiram
E era neve sobre as arcadas da catedral solitária
Na convulsão do silêncio que era o lago sepultado
No silêncio desenhado sob as horas do seu corpo,
A alvura da eternidade cantando a uma só voz.
2.
Olha para trás.
Eu sou o silêncio das brumas por onde olhas e não vês,
A neve que cobre a terra virgem de onde nasceste
E onde adormeceste nos braços da hecatombe.
Sou a morada da tua derivação inversa,
A dispersão dos teus olhos que se fundiram na chuva
Para chorar dentro de mim
E morrer na natureza do raio primordial.
Não fujas mais.
Eu estou no abismo do silêncio onde te precipitas,
Empurrado pelo sopro da tempestade invernal,
Como um berço capaz de embalar o furacão dos séculos,
A acção que se prende no desabafo da tua voz,
O teu sussurro de Fevereiro morto
No desalento de um barco ancorado no gelo eterno.
3.
O tempo morreu
E as asas da esfera celeste desfaleceram na cruz
Como um sussurro de Inverno por terras de deserdados,
Exílio de eterna neve.
Traz o silêncio pingentes no rosto azul
Das memórias afogadas no ribeiro do vazio
E a noite dorme nos ecos da penumbra boreal
Onde o sangue das horas silenciadas
Derrama sobre a memória o reverso de outras horas.
A noite fugiu
E o sol apagou-se entre eclipses de névoa e de lua,
Ardente fantasma exilado nos braços da noite eterna,
Estátua de desolação
Aberta ao voo das harpias dormentes no amanhecer
De uma espada denegrida sob os ecos de ninguém.
4.
Se eu fosse a neve que cobre o teu corpo
E embala as tuas asas entorpecidas no silêncio sepulcral,
A catedral que te acolhe como cripta consagrada
No Inverno das memórias eternamente desfalecidas…
Se eu te pudesse cantar o sopro da imortalidade
Na eternidade que agoniza no grito dos moribundos
E abrir à torrente das chuvas a quimera do teu corpo
Para te lavar das entranhas o sangue que derramei…
Ah! Se eu fosse a miragem que se esconde no deserto
Da brancura que reflecte os abismos do teu olhar,
E a quimera que contempla a esfinge do labirinto
Onde nenhum sacramento poderia renascer…
Se eu fosse o raio divino na prole dos ressuscitados
E a cruz do sangue que dorme na solidão das montanhas
Onde o Inverno se prende ao desafio da tua voz…
Onde estaria, então, a redenção da tua imagem,
A estátua do teu exílio plantada na suave lápide
Que é branca como o nada do infinito
E cega como nós?
5.
Eu vou voar no segredo da quimera ausente
E ser tempestade no abismo da chuva que cai,
Lavar as lágrimas que sangraram o rosto do pesadelo
E espalhar a catarse sobre os corpos da morte eterna.
Serei a cruz da mão que morde o desalento
E a neve que embala o berço dos anjos adormecidos,
A maré do sol eternamente adormecido sob a bruma
E a razão do amanhecer no crepúsculo imortal.
Eu vou erguer no ventre a catedral do eclipse
E dar às trevas a prole da resignação
Como braços de árvores nuas no Natal dos condenados
Estendidos ao além do céu que se nega ao nada.
E então serei a justiça liberta dos desertos,
O secreto Inverno de cada apocalipse
Erguido no chamamento de todos os cavaleiros
E renascido na solitária estrada do peregrino
Que se esgota sobre a neve dos vencidos
E morre no vazio dentro de mim.
Saturday, June 20, 2009
Falso Nirvana
No canto dos ecos elevados para lá da imensidade,
Concretização de esferas entretecidas
Nos contornos da mandala de um nó primordial.
Um grito nos lábios ressequidos do corpo vacilante
Abandonado sobre o palco
Como um sussurro plantado na voz fantasmal
Da feérica sinfonia dos espectros
Embalados por dentro do rosto da actriz desfalecida.
Um trovejar de lágrimas
Que chovem em tempestade sobre o decair dos fantasmas,
Como êxtase petrificado na contemplação do absurdo,
Miragem inefável
Que se espelha nos braços da quimera crucificada
E adormece à luz de um archote.
Um sorriso…
E a noite desfalece em pétalas apodrecidas
Por dentro da lâmina cravada na alma do punhal,
Sobre o altar das cinzas que mancham o pecado
Com a sombra da canção
Plantada, rebelde, por dentro dos olhos da bruma
Errante pelo fogo que antecede a aurora.
Tuesday, May 26, 2009
Saturday, May 23, 2009
Thursday, May 14, 2009
E Morreram Felizes para Sempre (Excerto)

Tinha, por isso, a rua completamente por si, de cada vez que se via forçado a afastar-se da sua casa para satisfazer uma qualquer necessidade. Era assustador ver como as portas se fechavam e as cortinas eram corridas ao mais pequeno sinal da sua passagem, como se se tratasse um monstro que percorria as ruas em busca da sua vítima.
Diziam que todos os demónios do Inferno se curvavam perante a sua presença, que, do interior da antiga e semi-arruinada mansão que habitava, brotavam, durante a noite, gritos capazes de fazer gelar o coração mais insensível, rasgando o monótono entoar de cânticos que invadiam os céus com os seus medonhos rituais.
Mas quem era ele, afinal? O estranho vulto vestido de negro, com um aspecto quase clerical, mas com um rosto demasiado rígido para ser benigno… De onde viera? Tudo o que sabiam a seu respeito era que chegara à velha mansão pouco mais de um mês antes e que a reclamara como posse sua. O restante resultava dos rumores espalhados pela população.
Quantos saberiam, contudo, que sombras o perseguiam, de onde vinham os verdadeiros demónios que o atormentavam? Viam-no, desconhecido, exilado no silêncio fechado que escolhera para habitar e, por isso, julgavam-no malévolo. Viam nas suas vestes negras a marca do derradeiro mal, ao invés do luto cerrado com que escolhera marcar a sua vida. Que sabiam eles de si, afinal? Não sabiam nada!A verdade, contudo, aquela distante verdade que o povo daquela aldeia recôndita se recusava sequer a imaginar, é que era de si próprio que aquele homem fugia, do passado que o marcara com o estigma da impureza, ainda que nada tivesse feito para o merecer, e que o perseguira até ali, de regresso ao local onde tudo começara."
Saturday, May 09, 2009
Casa de Memórias
Composto nas insígnias da traição,
A minha casa é voz de escuridão
Por entre silêncios amordaçados.
Negros fantasmas de tempos passados
Assombram a alma do meu coração
E, onde a magia se faz solidão,
Ganham vida os dias abandonados.
Como uma sombra perdida na história,
Minha casa é de sonho e de memória,
Soturna essência de ilusões sem cor.
E apenas no silêncio que senti
Se prendem os sonhos que descobri
Por entre as negras memórias da dor.
Monday, May 04, 2009
Pluralidade
Negra como a noite que adormece o sono eterno
E baila sobre as cinzas do túmulo de ninguém,
Mas também a terna rainha do amanhecer
Estende os meus braços à luz que atravessa o dia
E renasce aurora no orvalho de uma flor.
Tenho na voz a revolta da tempestade,
O murmúrio dos ventos que revolvem as areias do deserto
E a chuva que fustiga as velas das velhas naus,
Mas também o dócil calor de um sol adormecido
Na calma outonal dos dias que movem a procissão dos corpos.
Sou profetisa de todo um destino clarividente
E cega justiça derrubada num mundo de iniquidade,
E, sendo pó de estrelas na multiplicidade de mim,
Sou o nada oculto sob os excertos de um todo.
Sunday, April 26, 2009
E Morreram Felizes para Sempre - booktrailer
Friday, April 24, 2009
E Morreram Felizes para Sempre (brevemente)
Não, meus caros. Desta vez não é fantasia. Esse ainda está à espera que chegue a sua hora. Mas este que tendes diante dos vossos olhos é o meu novo livro, a poucas semanas do seu nascimento, graças ao trabalho da HM editora. Não tenho muitas informações para vos dar, ainda. Apenas esta capa, que adoro, e uma síntese muito básica do que tratam estas páginas. É um conjunto de oito contos, oito olhares contemplando os mais secretos meandros da vida real. São histórias de vida e de morte, de tormento e de sombra, de todos os sentimentos muitas vezes ocultos sob um olhar indiferente. Friday, April 17, 2009
Travessia
Nem como sinto as trevas dilaceradas do teu corpo sobre mim.
Não entendes a vaga indiscrição
Que se mistura no labirinto dos meus sentidos,
Como suave torpor de ausências solitárias
Que se prendessem no eco da minha devastação.
Não me conheces,
Mas pareces ver para lá dos recessos da minha noite,
Invadindo as pontes da minha miragem secreta
E em sangue trespassando todos os meus labirintos
Num derramar de essências desperdiçadas sobre o abismo.
Nunca me viste,
Nem mesmo conseguiste encontrar a minha presença nos passos da noite
Que me envolvia em divagações sinistradas
De espectral fenecer,
Mas invadiste todas as eras do meu caminho cerrado
E derrubaste as muralhas da minha solidão
Com a imensidade do teu infinito de luz.
Friday, April 03, 2009
Cântico
A melodia que o mundo dispersava
Nos cânticos da noite em meu redor.
Talvez…
Não sei.
Talvez chamasse o amor
Aquela sombra que em mim se entranhava
Como ilusão de espectral entidade.
Não sei se era silêncio fugitivo
Ou furtiva tristeza
O que assombrava
O contorno dos meus olhos cansados,
Espelho de mágoa
Onde se repetiam mil passados,
Mas nada se criava.
Talvez nem fosse meu
O lamento
Que pairava na estrada do destino,
Que me prendia aos fantasmas do fim.
Talvez eu fosse apenas o que sou,
Talvez sonho que nunca terminou,
Talvez a morte a florescer em mim.
Monday, March 30, 2009
Confidencial
Selando os lábios que sussurram nas sendas do castelo,
Como um grito amordaçado.
Paira um sopro nas asas da tempestade,
Como um corpo crucificado no crepúsculo esmorecido
Da manhã divinizada.
Espelha-se no segredo a confidência do absoluto
Cantando gritos na aurora do infinito
Onde se espraia o amplexo da gaivota mutilada
Pelo fúnebre enlace da corda que pinta os momentos
Na esmorecida miragem de um labirinto deserto.
Dorme um anjo sobre a areia…
Friday, March 13, 2009
Friday, March 06, 2009
Deixa-me Desistir de Ti
Como num encontro repetido entre penas de mil eras
E traçado em véus de fumos mutilados,
Para esquecer que te dei a alma de todos os meus sonhos
E a força de toda a vontade
Na concretização de uma visão que mão me pertencia.
Será o silêncio a minha promessa,
O vazio como futuro
De quem deixou as asas rasgadas no chão,
E apenas a noite alcançará a minha voz amordaçada
Nos primórdios do poema.
Não sou ninguém…
Nada mais que o pálido reflexo de um espelho estilhaçado,
Um grito no amanhecer
E as lanças dos meus dedos estendem o sangue da derrota
Que estrangula o meu olhar.
Deixa-me, pois, morder as cinzas que ensombram os meus lábios
E morrer dentro da cruz,
Como um corvo em voo de hecatombe
Rasgando os céus da última alvorada,
Um sonho aberto à lâmina dos deserdados,
Um cântico na morte…
Para que vejas a renúncia que floresce nos meus olhos
E me deixes desistir
De mim.
Thursday, March 05, 2009
Renascendo do Caos
Plantada a luz na pele do anjo moribundo
Desabrocha o labirinto das quimeras enegrecidas
Onde, tímida, repousa a esfinge de asas de corvo.
Com olhos fixando o norte onde se despoletam as luzes,
Brotam das estrelas os fios da seda e do âmbar,
Como amplexos de aranha cega que tacteia obscuridades
Em busca de um olhar perdido nas jóias do infinito
Onde o absurdo cravou a sua sepultura.
Como uma noite de estacas descendo sobre a neblina
Como rubros relâmpagos que brotassem dos dedos do absoluto,
Floresce nos céus o renascimento de todos os enigmas,
Traçando a sul o rasto das antigas caravanas
Que pulsam no sangue dos esqueletos exilados.
E quebra-se a abóbada da catedral abandonada
Ao fúnebre abraço dos ossos do crepúsculo.




