Friday, March 06, 2009

Deixa-me Desistir de Ti

Deixa-me desistir de ti
Como num encontro repetido entre penas de mil eras
E traçado em véus de fumos mutilados,
Para esquecer que te dei a alma de todos os meus sonhos
E a força de toda a vontade
Na concretização de uma visão que mão me pertencia.

Será o silêncio a minha promessa,
O vazio como futuro
De quem deixou as asas rasgadas no chão,
E apenas a noite alcançará a minha voz amordaçada
Nos primórdios do poema.

Não sou ninguém…
Nada mais que o pálido reflexo de um espelho estilhaçado,
Um grito no amanhecer
E as lanças dos meus dedos estendem o sangue da derrota
Que estrangula o meu olhar.

Deixa-me, pois, morder as cinzas que ensombram os meus lábios
E morrer dentro da cruz,
Como um corvo em voo de hecatombe
Rasgando os céus da última alvorada,
Um sonho aberto à lâmina dos deserdados,
Um cântico na morte…

Para que vejas a renúncia que floresce nos meus olhos
E me deixes desistir
De mim.

4 comments:

Graça Pires said...

Ser um grito no amanhecer e fazer do silêncio uma promessa... Lindíssimo poema de desencanto.
Um beijio e bom Dia da Mulher.

Mosath said...

Parabéns pelo poema.

Gostei... pela tristeza interior que pareces despertar e por algum tipo de niilismo que escreveste com palavras e figuras de estilo interessantes.

*
Mosath

ParadoXos said...

de poema em poema - um estrondo em palavras!
gostei deste lugar!
teu beijo!

© Piedade Araújo Sol said...

um poema embora bonito está com laivos de tristeza,

nunca desistas de nada, só se for algo que te deixa triste.

fica um beij