Thursday, October 14, 2010

Chamo-me Ilusão

Chamo-me ilusão
E sou uma estrela perdida entre céus de conforto
E chamas em sóis de terror,
Um rasto de névoa entre as brumas que nascem no exílio
E o fim dos tempo arrastado pela profecia
Dos olhos que um sonho plantou.

Sou um passo feito de esperas,
Um eco de esferas distantes numa canção morta,
A porta da trova que morre,
A lágrima ardente nos olhos do cárcere cego
Onde dormi mil noites
E para dois mil dias despertarei.

Chamo-me ilusão.
Sou grito de um eco plantado em colinas de absurdo,
Silêncio de punhal cravado
Nas entranhas de um plano rasgado em vazios de conquista,
Um nome plantado nas trevas,
Uma esperança em si própria rejeitada
E um espelho tingido com letras de resignação.

Sou um céu de renúncia,
Um corpo deixado na terra do ânimo moribundo,
Da voz que já não projecto,
E os minutos de mil séculos pulsaram sobre o meu sangue
Para apagar a essência
E desfazer na poeira as letras do meu sentido
E criar para mim os ritos de um novo baptismo.

Chamo-me… desilusão.

5 comments:

Joe said...

"Chamo-me ilusão.
Sou grito de um eco plantado em colinas de absurdo,..."

Toda a mentira é absurda, mas apenas a partir do momento em que nos damos conta da sua falsidade. Aí, resta-nos a mágoa que resulta da consciência adquirida em relação ao que é ou não é real, verdadeiro, mais ainda sabendo que o que é real não é necessariamente bom. Por vezes, é mesmo uma desilusão reconhecer o nosso engano e descobrir aquilo que se esconde por trás dele. Gostei do poema, claro.

Porta-Sonhos said...

O nome dos dias vazios.

"Sou um passo feito de esperas,
Um eco de esferas distantes numa canção morta,
A porta da trova que morre,
A lágrima ardente nos olhos do cárcere cego
Onde dormi mil noites
E para dois mil dias despertarei."


Esféricos os momentos da espera.

Sempre muita qualidade.

Bjo.

Giraldoff

Nuno Vicente said...

Tambem é essa ilusão que nos da alguma vida neste absurdo, onde eu definitivamente não pertenço e é bom saber que de certa forma temos companhia neste misterioso mundo de incompreensão...

Adorei, beijinho Carla=)

johanna said...

Gostei muito!
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Blood Tears said...

O que é a desilusão, senão uma ilusão desfeita em mil pedaços do amanhã que se perdeu?

Adorei

Blood Kisses