Monday, July 21, 2008

Não Acabou

Não se apagou a sombra da loucura
Aprisionada no meu corpo aberto,
Como um eco de morte e de amargura
Perdido por entre as brumas do incerto.

Não se apagou a estrela do deserto
Que habitava os ecos da noite escura,
Levando para longe o que viveu perto,
Em cinzas desvanecendo a ternura.

Não se perdeu a memória dos dias
Que embalava entre débeis fantasias
O delirante eco da escuridão.

Paira ainda, nos silêncios do nada,
Um murmúrio de distante fachada.
Diz que não acabou… Ainda não.

13 comments:

Fátima said...

Amiga,

A sombra da loucura nunca se apaga...

:-) beijo

ROSA E OLIVIER said...

"La del Romancero,
Córdoba la llana!...
Guadalquivir hace vega,
el campo relincha y brama."

António Machado, nasc. 26/7/1875, Sevilla...para a princesinha de S. Martinho...e p'elo prazer do seu poema.

O Profeta said...

Majestosa e altivamente submissa
Uma árvore curva-se à lagoa
Encontrei um arco-íris perdido na terra
Este canto não pára até que a alma doa


Convido-te a olhar os sentires que emanam do altar do Sol


Boa semana


Mágico beijo

LetrasAlinhadas said...

Gostei bastante, tanto deste poema, como do blog no geral. Tens de facto poemas muito tocantes, e és um exemplo para mim. Um beijo!

Olivier Franconetti Benamor said...

O wilde west wind, thou breath of Autumn's being...

para ti...

O Profeta said...

Ai quem me dera agitar o tempo
Atirar a mágoa à voragem da noite
Arrancar as raízes ao pensamento
Sentir a paz que uma lagoa acolhe


Boa férias


Mágico beijo

O Profeta said...

Errantes sentires percorrem
Este corpo nu de calor
Queda-se a vontade ao vento
Neste deserto de verde amor

Ai este grito contido
É lava rubra em minha garganta
Pio de pássaro preso às penas
Uma reza a fugir de alma santa


Boas férias


Mágico beijo

ROSA E OLIVIER said...

..."eu te amo, perdoa-me, eu te amo."...!?...para a princesinha...(e as festas do Senhor do Calvário?!...este ano têm boa música?...pena lá não poder ir!...)beijos.

Graça Pires said...

Um belo soneto.
Um beijo.

Leto of the Crows said...

O tudo só se apaga realmente quando no nada se perder...

Lindíssimo poema ^^

Um abraço!

ROSA E OLIVIER said...

..perdido perante as brumas do incerto!...lindo!...e para ti...

"te amo em silencio
e só o silencio sabe."

baci mille.

Pkna Imperatriz said...

Obrigada pela visita ao Verboletas, e igualmente gostei das tuas poesias, das imagens que vais criando, tem uma coisa meio Edgar Allan Poe aí rs...

Oliver Pickwick said...

Há certas loucuras produzidas por meras convenções, originárias das mesmas mentes que convencionaram o escuro como o reino dos maus. Contudo, há aqueles que vislumbram nas sombras, sabedoria. E as guardam, aprisionada no corpo, como precioso conhecimento a libertar-se no tempo das brumas das certezas.
Um beijo!