Monday, October 28, 2013

Ponto de Fuga

Como um traço de melodia em contraponto
Invadida pelos fulgores de um compasso sanguíneo,
Bailam os tambores de guerra ao ritmo da escuridão
E, qual relâmpago de funérea alvura,
Dança a espada na carne dos deserdados.

Espectros de fogo revolvem as paredes do labirinto
Correndo contra a perseguição da esfinge
E, enquanto a noite se agita entre marés crepusculares
Que ascendem em dedos de teia até ao manto das estrelas,
Há um som de passos que correm na coreografia dos fugitivos,
Agitando por dentro do escudo o ponto onde a seiva cai.

Morta sob o peso da neve que lhe prende os braços,
Chora em sinfonias dispersas o torso da árvore morta
Que estende às trevas o abraço da súplica estrangulada
Por entre o véu das correntes que lhe amordaçam os membros,
E dorme sob um céu de fogos-fátuos em dispersão
A clandestina memória de um andamento maior,
Onde a voz da sinfonia se desvanece entre espelhos
E cai como lágrima seca sobre o sudário do absurdo.

2 comments:

Jorge Santos said...

Sou consciente do que penso e procuro,
-Procuro-me tão-somente,
No conhecimento, mas inconsciente
D'o não haver, onde tanto o procuro,


Ainda que houvesse, um farol faroleiro
Do sentir do meu pensamento,
O afastaria de mim, estaria oculto
Quanto, sob intenso nevoeiro…


Pensar…pensar tão-só, quanto o pensar
Mente e se encobre, n’algum ser ou coisa
Inconsciente, como pensar que nem se pensa,
Embora seja ela, a causadora aparente do pensar.


Sou consciente de que procuro,
Um inédito conceito do real, ainda por pensar,
Porque sem o peso da memória, não terei logradouro,
Nem este vil cais, me irá ver morto, embarcar.


Talvez como eu, seja aquela puta, sem opção,
De bar em bar, repartindo o cadáver morto,
Mas sonhando-se prenha, d’algum Nobel da ficção,
Que a penetrou fundo, por um gol d'absinto.


Sou ciente do pensar que procuro,
Ser mais venal, que o comum pecado,
Mais impuro, que o despudor, em estado puro,
Mas num mar de bruma m'encalho, agacho, acobardo…

(E Morro)



Joel Matos (12/2013)
http://namastibetpoems.blogspot.com

Jorge Santos said...

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